Lugar nenhum
Terraços, principalmente de acesso não permitido, são lugares acidentais: só estão ali porque construíram um prédio embaixo e ao último andar não pode faltar teto.
No alto de um prédio sinto como se estivesse em todos os lugares ao mesmo tempo, e ao mesmo tempo em lugar nenhum. É o cúmulo da solidão estar só com todos ao alcance da vista – quase a mesma coisa que andar na Rio Branco ao meio-dia, só que sem os encontrões.
Posso ficar horas, dias ou séculos vendo a cidade que só é apressada de perto. Um outro mundo. Num terraço senti o gosto de um amor proibido, noutro quase morri, noutro fugi de mim várias vezes. Também nun terraço vi o amor renascer quando parecia fugido para sempre.
Essa que vos cerca é a paisagem vista da Av. Augusto Severo, onde esqueci um pedaço de meu coração depois de morar por três curtíssimos anos (que o síndico nunca veja essas fotos!)
Pbl.


