Oásis da imprensa
Ainda sobre a CONFECOM e as comunicações no Brasil, um oásis de imprensa livre está fazzendo uma cobertura especial.
O Observatório do direito à comunicação preparou um BLOG especial para fazer a cobertura do evento. Quanto à Globo… Nunca tive esperanças de que ela mudasse seus padrões editoriais só pra fazer o mundo ficar melhor e mais justo, imagina se isso justificaria tal investimento e risco…
De fato, após consultar ao Dudu Azevedo, que trabalha com comunicação e movimentos populares, vídeo e redes solidárias, fiquei mais esclarescido: O Jornal Nacional não divulga a Confecom justamente porque ela É relevante e porque toca diretamente na hegemonia das grandes redes de TV e rádio, uma vez que discute os movimentos de comunicação alternativa, independente e popular que surgem por toda parte, graças à democratização dos meios de produção e difusão midiática, a saber Internet e mídias digitais.
Nas palavras de Ddu Azeveddo:
“Temos que aprender a ler jornal de trás para frente (…) e ainda adivinhar o que eles não estão falando e que, portanto, deve ser importante.”
Acusam a Confecom de querer amordaçar as grandes empresas de comunicação. Amordaçar a grande imprensa é impossível: ela já é dona do Brasil. Não creio que essa seja uma pretensão séria, nem da esquerda mais babaca do país..
O que me parece ser desejável para muitos que foram à conferência é que o maior número de instituições representativas de brasileiros possam se posicionar através de meios de comunicação, como TVs públicas, rádios comunitárias, jornais de papel e jornais virtuais etc. Mas o que eles temem é que já sabem que se isso for possível agora, serão prejudicados no futuro quando os atuais midialivristas começarem a ganhar grandes contingentes da população para suas mídias alternativas. Aí essas mídias já não serão alternativas mas sim novas mídias verossímeis.”
Se você quiser receber o boletim do Dudu Azeverdo por email, escreva para lfdudu.azevedo@yahoo.com.br pedindo a inclusão do seu nome.
Pbl.
No Próximo post: A comunicação independente do Cultura Nativa e a revolução safra-a-safra
Globo não comunica
Está acontecendo neste momento um dos eventos mais importantes dos últimos cem anos – a CONFECOM, Conferência Nacional de Comunicação.
Resultado de inúmeras conferências regionais e da participação democrática de governo, entidades e cidadãos, a CONFECOM discute temas como a liberdade de expressão, marcos regulatórios, livre concorrência em concessões de TV, rádio etc, acesso democrático à informação, internet, telefonia fixa e móvel, produção nacional em TV e cinema… O evento, com representação legítima de todos os setores da sociedade ligados às comunicações, é histórico e busca definir os rumos políticos do uso das mídias.
A TV Bandeirantes dedicou um bloco inteiro de seu horário nobre para divulgar e discutir a conferência, mas a Globo… Simplesmente ignora o evento em seus noticiários, apesar de ter seus representantes nele. Nem uma única palavra. Apesar de haver notícias no site G1, no da GloboNews não há uma única referência, que dirá no Jornal Nacional.
Pelo visto, para a Globo, jornalismo isento é aquele que se isenta de certos assuntos.
Pbl
Amado até os dentes
Luz, câmera, inação !!!
Bangue-bangue de ambos os lados
Na terceira fila, enfileirados,
Cidadãos e bandidos armados.
Não dão as mãos
Ainda não
Mas no escurinho da emoção
O bandido se espreguiça
Estica o braço
E seduz com nós de aço
O pacato cidadão
Sua arma intimida
Seu dinheiro compra a vida
Tem um “q” de meliante
E um P livre – de Paixão
Já desce a mão, o ardiloso bandido
E sem pudor nem estampido
Acaricia o cidadão
E este, agora petrificado
Já vê que o bandido
Amado e armado
Cobra o preço da situação
Nós amamos os bandidos. A contravenção exerce na cultura brasileira um papel de amor proibido, desde muito alimentado.
Nas primeiras décadas do século passado o malandro tinha seu charme; Alguns anos depois o bandido de morro (já totalmente descaracterizado e sem referências, tornado o bandido que assalta e atira) foi tido como resistente e mesmo herói por muitos setores da esquerda, durante a ditadura militar; A famosa “lei de Gerson” foi proferida e aplicada com orgulho por muitos deste país que achavam (e ainda acham) que o certo é querer levar vantagem em tudo; o político que “rouba mas faz” sempre conseguiu se reeleger (inclusive muitos que roubam e nada fazem); hoje, meninas da classe média se seduzem pelos fuzis ostentados nas bocas de fumo enquanto funks proibidos de apologia ao crime circulam nos celulares e I-Pods da Barra da Tijuca; em meio a tudo isso, as armas sempre foram vangloriadas pelo cinema norte-americano, estando presente nas mãos dos mocinhos para quem tanto torcemos.
Não me admira que a violência, tendo sido tida como dogma, exploda pelo mundo afora trazendo suas conseqüências para todos, da maneira mais democrática possível.

Bezerra da Silva em capa de seu disco Malandro Rei - cr;itica social ou confuão entre subversão e contravenção?
Santa barbárie !!!
Agora que o carioca começa a se dar conta do nível bélico atingido na guerra cotidiana – agora que não chovem apenas balas, mas também aeronaves… Agora… E AGORA???!!!
Já esquecíamos o último rompante de violência, não sei se Garoto arrastado, Bebê fuzilado pela polícia, Roubo de armas no quartel ou Sequestro do 175… Sei que quando já esquecíamos, um helicóptero da polícia militar caiu em nossas cabeças, explodindo no campo das consciências amortecidas.
Décadas de exclusão sistemática transformaram o Rio de Janeiro em palco do bárbaro espetáculo carioca deste começo de século: território fragmentado e ocupado por organizações criminosas armadas; população vítima impotente de confrontos sem fim; classe média confinada em casa ou nos shoppings e ricos gastando rios caudalosos de dinheiro em fortalezas, blindagens, câmeras, sensores e alarmes – comprando a melhor proteção enquanto o resto da população faz o que pode com precauções, orações e Lexotan.
Sempre soluções particulares (com exceção das orações em nome de todos) para um problema que é público. Desde o início dos anos 90 o discurso do ”privado-acumulativo-o-social-é-consequência” vem sido martelado e repetido. Precisamos do onze de setembro para questionar verdades absolutas que vinham guinando o mundo para o suicídio.
Mas participar saiu de moda. Pois é participação da população o que falta para esta e tantas outras metrópoles superarem a doença de ser violento, seja atirando ou excluindo, ferindo ou se omitindo, roubando ou abandonando, sequestrando ou esquecendo.
Não fazer nada também é uma violência.
Presença dos deputados da Alerj
Email do seu deputado estadual
Plano diretor da Cidade do rio de Janeiro
Transparência Olímpica – Rio 2016
Ação da cidadania contra a fome, a miséria e pela vida
CUFA _ Central Unica das Favelas
Pbl.
No próximo post: Nós adoramos os bandidos…
Pele de burro não é transparente
O Governo do Estado e a prefeitura acabam de lançar o portal Transparência Olímpica, aonde estarão online todos os gastos referentes à realização das olimpíadas 2016 na Cidade Maravilhosa; herança do portal Transparência Brasil, em que gastos públicos passaram a ficar disponíveis a partir de 2004.
O fato de as denúncias de uso de verbas públicas para montagem de apartamento funcional de luxo para o reitor da UNB (a famosa de lixeira de R$900,00) terem eclodido graças ao Transparência Brasil mostra a importancia destas iniciativas.
A marcação deste endereço nos favoritos de seu navegador é obrigatória. Fiquemos de olho, porque depois não adianta chorar sobre a verba derramada!
Acompanhe a promessa de transparência do Governo do Estado, publicada no portal do Estadão
Pbl.
Baixe qualquer disco: rápido, fácil e democrático !
Depois de passado o luto pela morte da comunidade Discografias Completas do Orkut e de ter anunciado os blogs de música como novos pólos de liberdade para a troca de arquivos, tenho a felicidade de anunciar que descobri uma forma inusitada de conseguir discos pela internet. Não é preciso ir a endereço algum e ficar catando o nome dos artistas e discos. Os sistemas de busca já existentes podem ser usados para encontrarmos facilmente o que queremos nesses blogs.
Se pedirmos nome de artista e álbum ao oráculo (também conhecido como Google), os links que aparecem são invariavelmente de sites que vendem os discos ou os arquivos (americanas, submarino, amazon etc). Porém, catando capas para os discos que tenho aqui em casa, descobri uma coisa incrível:
Basta pedir a busca de imagens do Google, com artista e álbum, para encontrar de cara inúmeras capas do disco. Quase sempre os primeiros resultados são de imagens postadas… em blogs de música!!! Geralmente, em três ou quatro cliques podemos encontrar o álbum procurado, disponível para download, e ainda conhecer um novo blog, com grande acervo e outros discos postados regularmente. Grande parte do acervo desses blogs é de discos que não etão no circuito oficial da grande mídia, o que nos permite conhecer artistas e obras dos quais não teríamos notícia pelos anúncios de TV.
Pode buscar discos antigos, vinis que sua mãe escutava ou obras raras: é quase certo de encontrar, além de ser mais fácil e rápido que a busca nas comunidades do Orkut.
Vá em frente, busque, baixe, ouça, passe adiante. Quando as gravadoras se derem conta e moverem a pesada máquina judicial para acabar com essa liberdade, já haverão outras tantas formas de trocar músicas.
E antes que eu me esqueça… Pirata é a mãe!!!!
Business sem dó
Ainda sobre o calvário das grandes gravadoras, não dá pra ficar na crítica sem pensar em soluções. Pra começar, que tal distribuição livre das músicas do álbum no site oficial? Vejamos: Os Piratas Sem Calibre lançam seu CD que promete ser um sucesso.

A capa dos Piratas Sem calibre traz uma pequena menção à liberdade - ousadia pode garantir sobrevivência de gravadoras
- No site da banda, download livre do álbum, os internautas escolhendo se querem ou não pagar pelos arquivos, e quanto.
- Em se cadastrando, o fã garante acesso a conteúdo exclusivo: chats (com outros fãs e eventualmente com membros da banda, produtores e pessoas envolvidas no lançamento ), vídeos, novidades, notícias do mundo do rock, comunidade de fãs com troca de mensagens etc.
- Os CDs podem vir com códigos que garantem acesso a sorteios de viagens a shows da banda, camisas, I-Pods, participação especial na gravação do DVD etc, além de acesso à área exclusiva do site.
- Fãs são convidados a enviar seus próprios vídeos de cover da banda – no site, podem baixar versões sem vocal das músicas para aprimorar suas performances. Os melhores vídeos serão sincronizados no telão do show, durante a execução da música – como se o fã estivesse no palco.
- DJs são chamados a enviar mixagens e versões próprias dos sucessos. As melhores farão parte de outro lançamento: Piratas Remix, para atingir o público mais dançante com os hits de rock.
- É lançada, em parceria com a Apple, linha exclusiva e limitada de I-Pods Nano com tema da banda, que vêm com as músicas e mais 1Gb de memória, a um preço acessível. Os possuidores de CDs originais terão desconto especial nos aparelhinhos.
Essas são apenas algumas iniciativas que as gravadoras podem tomar a qualquer momento para se adaptar aos (sempre) novos tempos.
E se ao invés de rastrear downloads para criminalizar seus consumidores, as associações representativas como a RIAA o fizessem para descobrir o gosto e as tendências dos internautas, poderiam descobrir, por exemplo, que determinado artista, esquecido há mais de dez anos, está sendo comentado e baixado, o que abriria possibilidade de reinvestir nele. Porque a cópia de arquivos, por ser fácil e gratuita, pulveriza a atenção dos internautas e abre acesso a conteúdos que não circulam na grande mídia.
Para serem verdadeiramente parceiros dos artistas, estarem novamente na crista da onda e voltar a fazer as pazes com aqueles de quem dependem, as gravadoras só precisam querer. Ou podem ficar resmungando e tentando parar o tempo com ações judiciais, o que vai sair bem mais caro e pode ser afinal a única coisa capaz de extingui-las.
Sei que é uma questão de negócios e que nada mudará por vontade de melhorar o mundo (não por enquanto). Mas é o business que precisa da música, não a música que precisa do business.
Pbl.
P.S.: A caveira na bandeira pirata nunca foi símbolo de morte ou matança. A caveira é tudo o que sobra das pessoas depois de retirada a aparência, e em todas as pessoas ela é a mesma caveira. A cveira faz todos iguais – sob a bandeira dos piratas, não havia superioridade, apesar de haver hierarquia.
Sensacional !
Uma dos principais propósitos do Blógico está expresso no termo “Boas notícias”.
A doutrina não oficial do “má notícia é que vende jornal” chega a ser repudiada por representantes da imprensa mas continua definindo pautas, profundamente arraigada na atividade de informar. O sensacionalismo pode ser muito mais sutil do que as manchetes ensanguentadas de jornais populares e finca bandeiras muito além da “imprensa marrom”. Muito se pensa que este mundo está perdido porque só se vê desgraça na TV; é a mesma coisa que acreditar que o mundo é belo porque Papai Noel nunca esquece das criancinhas.
É muito mais fácil do que se imagina fazer um conteúdo baseado em notícias positivas, sem deixar de se falar nas coisas horríveis que acontecem. Até estas têm seu lado bom (ou uma boa solução que possa ser sugerida). A imprensa oficial de massa é refém do ciclo vicioso de impactar indivíduos cada vez mais acostumados a impactos. O resultado é o esdrúxulo tido como única forma de chamar a atenção.
E não se trata de uma questão de “padrão de qualidade” – a rede Record cresce em audiência imitando o padrão Globo enquanto a Globo apela para conteúdo mais impactante no Jornal Nacional, importando a lógica do sensacionalismo popular para o horário nobre.
Felizmente o Blógico não é o único endereço na net que se preocupa em mostrar o lado bom da vida. Blogs como o Somente Boas Notícias e O Brasil que dá certo, além do site do incomparável jornalista André Trigueiro, o Mundo Sustentável, são a prova de que a esperança está viva.
Acesse, se inspire, marque como favoritos, passe adiante e esqueça essa falácia de que o mundo não tem jeito !

Sangue e lucro
Pbl.
No próximo post: sugestões para as gravadoras desenvolverem o lado bom da democratização do audio-visual – e continuarem ganhando dinheiro!
O desabafo do motorneiro.
Aconteceu recentemente uma batalha no mundo virtual que seguiu silenciosa, salvo alguma repercussão em sites e blogs:. entidades representativas das grandes gravadoras conseguiram, depois de mais de um ano na justiça, fechar a comunidade “Discografias completas” do Orkut, dedicada à divulgação de discografias dos mais variados artistas (e os links para download para cada álbum).
Linotipistas, laboratoristas, ascensoristas, motorneiros, calceteiros, pintores de letreiros de cinema, telefonistas, teletipistas, limpadores de escarradeiras, catadores de estrume, montadores de chapéus, cocheiros, carroceiros, virgens, pianistas de filme mudo, lanterninhas, mecanógrafos e guarda-livros; todos viram suas atividades se extinguirem pela chegada da tecnologia que no final traria um bem maior: tudo pelo progresso.

Este é o cocheiro de bonde, precurssor do motorneiro. Ele foi preso por baixar música ilegalmente enquanto procurava emprego nos sites de RH.
Agora o fenômeno acontece na outra ponta: Como uma cyber-pororoca, os avanços tecnológicos vão da foz à nascente da economia, na contra-mão do monopólio dos meios de produção, distribuição e difusão de informação. E o que acontece com o “inevitável progresso”? Vira crime. O desespero das grandes gravadoras já as levou a processar e criminalizar a própria base de consumidores, pequena aberração histórica que será lembrada como uma espécie de antropofagia de nossa época.
Enquanto isso, inúmeros blogs de música pipocam por toda parte, divulgando em sua grande maioria discos e artistas que não estão no circuito da mídia; parece que ogolpe perpetrado pela indústria fonográfica nos internautas revelou-se um tiro pela culatra, pois agora os milhões de downloads que se centralizavam na “Discografias Completas” serão pulverizados por inúmeros blogs, sites e sistemas de busca em servidores online ou ponto a ponto… Definitivamente impossível de rastrear e coibir um movimento tão anárquico e generalizado.
Se ficou menos prático encontrar um bom disco para baixar, não ficou impossível e ainda abrem-se as portas para um conteúdo muito mais refinado e profundo, dentro de todos os gêneros de música e filmes.
Ao contrário de estarem condenadas por esta realidade, as grandes gravadoras estão em posição privilegiada de se adaptar e continuar ganhando dinheiro, afinal elas têm como investir em mudanças e ainda possuem contratos com as maiores bandas e artistas do mundo. Mas algumas bandas, como Radiohead, já vendem tanto ou mais pela distribuição independente de músicas do que através das gravadoras, o que mostra que a atitude destas deve mudar logo, se quiserem sobreviver.
A fórmula do novo meio de se viver a música e os filmes ainda não está pronta e muitas misturas estão sendo tentadas; não sabemos como será o futuro mas vejo um modelo de negócio das gravadoras próximo de alguns princípios básicos:
Ser sócio dos artistas ao invés de explorar seu trabalho;
Promover eventos e conteúdo, ao invés de copiar discos para ganho em escala;
Descobrir novos talentos e investir em grandes carteiras de artistas, ao invés de sugar ao máximo os grandes vendedores de discos.
Enquanto isso não acontece, os leitores do Blógico podem conferir alguns dos melhores blogs que divulgam boa música. Tem de tudo: do instrumental ao hip-hop. Façam bom proveito e notem que são trabalhos absolutamente sem fins lucrativos, feitos por gente que realmente gosta do que ouve.
Se depois deste post a RIAA não fechar o Blógico eu falo porque esta história me lembrou da cenoura orânica que não comi semana pssada.
Pbl
E o mundo parou…

Intermináveis engarrafamentos se repetem a cada feriado - Imagem: FOLHA DE SAO PAULO
As imagens de engarrafamento em São Paulo não são novidade há muito tempo, e nesta segunda-feira à noite já era de se esperar que os noticiários mostrassem quilômetros de faróis enfileirados nas estradas, como colunas de vagarosos vaga-lumes emperrados no caminho de volta pra casa. Uma megalópole imobilizada via-se refém da tragédia anunciada que se tornou todo feriado. Entrar e sair da cidade em datas especiais é uma questão de muuuuuita paciência, e logo me veio à mente que a escolha pelo modal rodoviário se mostra cada ano mais burra e insustentável. Para problemas públicos (locomover-se em massa numa cidade saturada) não adiantam soluções particulares (o carro).
Imaginando que houvesse a alternativa do trem (linhas regulares, confortáveis e acessíveis), bastaria que um terço daqueles que saíssem de carro para o sete de setembro escolhessem a ferrovia para que as estradas se tornassem novamente transitáveis.
Foi nas décadas de 60 e 70, do milagre econômico, que o Brasil resolveu copiar e privilegiar o modelo rodoviário – desde então, estradas passaram a ser sinônimo de progresso. Vemos hoje o preço deste progresso, e já é possível imaginar até quando ele será praticável.

E tsanta gente passando fome.... - Imagem: PORTAL G1
Eu já ia me perguntando até quando insistiremos na burrice do automóvel (uma tonelada como motor a explosão pra transportar oitenta quilos), quando foram chegando as notícias do temporal na capital paulista. Não foram só os engarrafamentos que transtornaram a cidade ontem (às dez da noite ainda havia mais de oitenta quilômetros de retenção). Entre outras coisas:
Ruas alagadas ameaçavam a saúde e a segurança dos cidadãos;
Os trens pararam e instalou-se o caos na Estação da Luz, que teve que ser fechada;
O fornecimento de luz foi interrompido em vários bairros;
Telefones celulares e fixos ficaram mudos durante boa parte da tarde;
Trezentas toneladas de frutas foram destruídas na Ceagesp, causando prejuízo de 220 mil reais;
Deslizamentos em Osasco causaram problemas de enorme magnitude, matando crianças e adultos;
Aonde está a prefeitura numa hora dessas? Aliás, aonde estava o poder público quando era sua obrigação prevenir tamanho absurdo, antes que os temporais acontecessem? Aonde está o bom senso e a inteligência, que podem nos guiar para construir cidades minimamente sustentáveis?
Impermeabilizar o chão, vender cada vez mais carros, relegar o transporte público às massas desfavorecidas e permitir que concessionárias de serviço público façam o que bem entenderem certamente não são saídas para manter a viabilidade de uma cidade.

Retrato de uma cidade parada
O prefeito Gilberto Cassab declarou que o orçamento para limpeza das ruas simplesmente dobrou depois do início de seu mandato. Isso, antes de ser um bom sinal (vejam como eu invisto mais) é mostra de uma administração engessada e reativa. Antes de gastar mais com os remédios, senhor prefeito, que tal investir um pouco na prevenção? Perguntado se a limpeza das ruas está sendo bem feita, o ilustre prefeito ainda teve o desplante de responder: “Deve estar”. Deve???!!! Ou o senhor não tem a menor noção do que está falando ou está gozando com a cara de quem ficou preso em engarrafamentos, sem luz e comunicação o dia inteiro. Sugiro que o prefeito e seus assessores sejam convidados a atravessar a cidade de carro ou de ônibus durante o próximo temporal; certamente, Cassab terá mais certeza na sua resposta, na próxima vez que se o perguntasse tal coisa.
Que os sucessivos descasos e escolhas erradas que levaram São Paulo a tal situação (justiça seja feita, situação esta muito anterior à atual administração) não sejam mais vistos como “coisa normal”; que possam acordar os cidadãos durante o pleito de 2010 e a todas as gerações futuras de brasileiros.
Aos amigos paulistanos, a solidariedade carioca.
Veja mais:
Com chuva fraca, a cidade apresenta 72Km de engarrafamentos.
Centro Virtual de Estudos Ambientais Urbanos – UNESP
Pbl







