Blógico!

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Corporativo, eu?!

Muito se fala sobre o mais novo “escândalo” dos cartões corporativos – a saber um ourocard com o brasão VIP da República, nas mãos de ministros e agraciados dos altos escalões para que possam arcar com os justos custos de seu ofício, tais como uma pasta de apenas R$500,00 ou algumas reuniões estratégicas em salões de sinuca. Afinal ganham tão pouco!

O noticiário segue seu script invariável, sem notar que algo acontece no pano de fundo, o prenúncio de mudanças reais nesse país. O estereótipo de nossa esperança para a mudança do país é uma transformação brusca e radical para o “Brasil melhor”; esta idéia me parece a mãe de nossa (minha) apatia e conformismo, afinal quando pensamos que tal mudança é impossível nos tocamos que temos razão – é mesmo impossível – e a apatia está desculpada. Seguimos (sigo) sambando e sorrindo.

Junto com o escândalo dos cartões e dos outros (quais eram mesmo?)  pode-se notar um contexto diferente. Em primeiro, o governo fez uma jogada de “risco calculado” providenciando uma CPI no seu “território”. A jogada não é genial, antes de mosrar astúcia evidencia resignação ao fato de que haveria investigação, que o assunto já tinha vida própria. E este não é um governo fraco ou desacreditado. Somando-se a esta reação o fato de que a situação não está com ares de “grande escândalo” nos moldes brasileros (no tocante a paralisação total da vida pública em submissão à catarse estérica), fica claro que a investigação, a apuração, a discussão às claras esá se tornando algo natural, menos catastrófico.

Uma das principais fontes de números da reportagem do Jornal Nacional hoje foi o Portal da Transparência, site do governo com toda informação de gastos da União. A Internet cumpre mais uma vez seu papel de democratizadora da informação, qualquer um pode com um Real (na pior das hipóteses) acessar o portal de um cyber café e saber que o IBGE comprou um imóvel em 2007, no valor de duzentos mil reais, tendo como favorecida a senhora LUZIA CAMINHA MACHADO DA COSTA. Estão lá, a poucos cliques de distância, esta e tantas outras informações, inclusive um guia chamado “aprenda a fiscalizar“.

Este portal está no ar desde Novembro de 2004 e torna flagrante a mudança nesse país. Não uma mudança radical e milagrosa, como gostaríamos, mas uma bem lenta, gradual e ininterrupta, que é na medida de nossos esforços e exige um bocado de suor – a mudança possível, enfim.

 

Ha meros trinta anos o deputado federal Francisco Pinto (MDB BA)foi condenado a seis meses de prisão por ter criticado Pinochet numa entrevista e hoje não há como esocnder os gastos ou impedir a veiculação de notícias. Vamos acompanhar os cartões sabendo que está cada vez mais difícil para os ratos se esconderem. E que venha o próximo escãndalo!

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08-02-08 - Posted by | Crônica geral, Mundo melhor

1 Comentário »

  1. Estou adorando ler esses textos repletos de criticidade, coerência e coesão. Além de super criativos. Como dira Maturana, é belo ver alguém numa “autpoiesis”, linguageando para se expressar.
    Parabéns!

    Comentário por Beatriz Câmara | 13-02-08 | Responder


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