Blógico!

Pensamento, cultura, artes, boas notícias

Estaremos confundindo

Atendente recém-contratado, depois de passar pelo treinamento intensivo.

Os esforços das empresas para manterem-se epróximas de seus consumidores, tornando suas vidas fáaceis e agradáveis, parece não ter chegado ao atendimento ao cliente, se é que têm saído do papel…

Enquanto as operadoras de telefonia celular disputam o primeiro lugar nos rankings de reclamações, ninguém respeita a recente lei do teleatendimento e ao que parece os procedimentos são pensados para livrar a empresa da ira do cliente, e não para saná-la.

Gasta-se muito para desenvolver sistemas de reconhecimento de voz capazes de interagir com o cliente, mas com que proposito? Oferecer melhor e mais rapido atendimento? Não: poupar gastos com pessoal. Muito já se gastou em pesquisa e desenvolvimento para fazer cojm que a máquina pareça humana…Por outro lado os treinamentos dos atendentes (por enquanto) humanos estabelece um roteiro de procedimentos, de modo que qualquer coisa fora desse roteiro extrapola as capacidades de decisão do atendente.

Gasta-se com as máquinas para fazê-las parecer humanas, e gasta-se com as pessoas para fazê-las agir como máquina. Como pode dar certo?

Pbl.

18-11-10 Posted by | Comunicação e design, Denúncia, Desabafo | , , , | Deixe um comentário

Oásis da imprensa

Ainda sobre a CONFECOM e as comunicações no Brasil, um oásis de imprensa livre está fazzendo uma cobertura especial.

O Observatório do direito à comunicação preparou um BLOG especial para fazer a cobertura do evento. Quanto à Globo… Nunca tive esperanças de que ela mudasse seus padrões editoriais só pra fazer o mundo ficar melhor e mais justo, imagina se isso justificaria tal investimento e risco…

De fato, após consultar ao Dudu Azevedo, que trabalha com comunicação e movimentos populares,  vídeo e redes solidárias, fiquei mais esclarescido: O Jornal Nacional não divulga a Confecom justamente porque ela É relevante e porque toca diretamente na hegemonia das grandes redes de TV e rádio, uma vez que discute os movimentos de comunicação alternativa, independente e popular que surgem por toda parte, graças à democratização dos meios de produção e difusão midiática, a saber Internet e mídias digitais.

Nas palavras de Ddu Azeveddo:

“Temos que aprender a ler jornal de trás para frente (…) e ainda adivinhar o que eles não estão falando e que, portanto, deve ser importante.”

Acusam a Confecom de querer amordaçar as grandes empresas de comunicação.  Amordaçar a grande imprensa é impossível: ela já é dona do Brasil.  Não creio que essa seja uma pretensão séria, nem da esquerda mais babaca do país..

O que me parece ser desejável para muitos que foram à conferência é que o maior número de instituições representativas de brasileiros possam se posicionar através de meios de comunicação, como TVs públicas, rádios comunitárias, jornais de papel e jornais virtuais etc.  Mas o que eles temem é que já sabem que se isso for possível agora, serão prejudicados no futuro quando os atuais midialivristas começarem a ganhar grandes contingentes da população para suas mídias alternativas.  Aí essas mídias já não serão alternativas mas sim novas mídias verossímeis.”

Se você quiser receber o boletim do Dudu Azeverdo por email, escreva para lfdudu.azevedo@yahoo.com.br pedindo a inclusão do seu nome.

Pbl.

No Próximo post: A comunicação independente do Cultura Nativa e a revolução safra-a-safra

16-12-09 Posted by | Comunicação e design, Denúncia, Entrevista, política | , , , , | Deixe um comentário

Globo não comunica

Está acontecendo neste momento um dos eventos mais importantes dos últimos cem anos – a CONFECOM, Conferência Nacional de Comunicação.

Afasta de mim este calice

Resultado de inúmeras conferências regionais e da participação democrática de governo, entidades e cidadãos, a CONFECOM discute temas como a liberdade de expressão, marcos regulatórios, livre concorrência em concessões de TV, rádio etc, acesso democrático à informação, internet, telefonia fixa e móvel, produção nacional em TV e cinema… O evento, com representação legítima de todos os setores da sociedade ligados às comunicações, é histórico e busca definir os rumos políticos do uso das mídias.

A TV Bandeirantes dedicou um bloco inteiro de seu horário nobre para divulgar e discutir a conferência, mas a Globo… Simplesmente ignora o evento em seus noticiários, apesar de ter seus representantes nele. Nem uma única palavra. Apesar de haver notícias no site G1, no da GloboNews não há uma única referência, que dirá no Jornal Nacional.

Pelo visto, para a Globo, jornalismo isento é aquele que se isenta de certos assuntos.

Pbl

15-12-09 Posted by | Comunicação e design, Crônica geral, política | , , | Deixe um comentário

Arte hoje e sempre

Antes da introdução do computador nas artes gráficas, os departamentos de arte utilizavam inúmeros instrumentos e ferramentas para a execução de campanhas, diagramações, ilustrações e montagens, num processo artesanal que exigia, além de criatividade e conhecimentos de artes visuais, composição etc, muita destreza e domínio dessas ferramentas. Montava-se uma simples página de texto com fotografia linha a linha, calculando número de caracteres de acordo com bordas, fonte, espaçamentos, e tamanho da foto – tudo com estilete, régua, cálculos, cola e muito mais, além de ter que encomendar o texto, previamente redigido, a uma empresa, na fonte e blocagem determinadas.

Mas e se algo mudasse no meio do caminho? Daí sem dúvida tudo teria que ser refeito, quase do início outra vez!

Parece mesmo difícil, hoje, imaginarmos tal processo. Mas era assim e não havia o Google Images para facilitar o trabalho de inserir imagens; a ilustração ou foto tinha que estar à mão ou ser produzida. Para se ampliar ou reduzir uma imagem usava-se uma ferramenta chamada prisma, algo parecido com um datashow arcaico que projetava a imagem numa base vertical, na escala desejada, para que se copiasse manualmente! Loucura? Não, limitação dos tempos.

O computador, ao entrar no departamento de arte, veio como nada mais do que uma nova ferramenta, porém uma ferramenta múltipla que substituiu aos poucos (porém muito rapidamente, em termos históricos) quase todas as outras. Com ele passou a ser possível diagramar uma página sem ter que cortar e colar um centímetro de papel, colocar fotos e ilustrações à vontade, dimensiona-las, corta-las e edita-las livremente no espaço disponível com o auxílio da máquina em todos os cálculos de espaçamento, entrelinhas etc. E para o espanto dos diretores da velha guarda, o possante “cérebro eletrônico” também tornou-se capaz de manipular imagens e gerar ilustrações de todo tipo, com texturas de tela e efeitos de tinta! Alguém que nasceu depois de 1990 deve estranhar tantas exclamações, mas a idéia é mesmo demonstrar o espanto com que essas novidades foram recebidas no mercado. Realmente tais recursos revolucionaram não só o modo como se faz arte, mas também a estrutura dos departamentos de arte e a base de qualificação dos profissionais, além, claro, da gama de possibilidades de criação de um layout.

Por fim a Internet coroou este processo trazendo para a palma da mão todo tipo de informação, referência, imagens, fontes e suportes tecnológicos para conceituação, criação, desenvolvimento e execução de idéias. Seria o céu na Terra, porém…

Porém esse processo trouxe, como tudo mais na vida, seu lado negativo: já não é mais preciso especialização para execução de artes e peças de campanha: basta que se tenha uma máquina vendida a preços populares no varejo, com pagamento a perder de vista, para se estar “apto” a fazer propaganda. E a popularização da linguagem visual e de certos conceitos básicos também trouxe a ilusão de que qualquer um pode fazer um anúncio. Para que um conjunto de elementos dispostos na página torne-se um anúncio, porém, deve haver por trás dele muito mais do que um apelo de vendas e algumas vinhetas, deve haver conceito, apelo subjetivo, estudo do problema do cliente, objetivo de comunicação, equilíbrio de cores e massa, simetria, impacto visual planejado, recursos semióticos aplicados conscientemente… Enfim um leque de coisas que não se aprende ao adquirir um PC ou aprender Photoshop. Lembro de ter visto num panfleto, distribuído na Av. Presidente Vargas: “Aprenda Corel Draw e faça campanhas de propaganda!”. E quem já não viu uma placa ou panfleto de gráfica rápida prometendo “sua logomarca em uma hora”?

Tal banalização dos recursos de produção saturou o mercado e tornou a promessa de “mais tempo livre”, mais uma vez, uma falácia – pois há uma infinidade de concorrentes nem sempre (ou quase nunca) qualificados, cobrando preços irrisórios, o que junto com os prazos cada vez mais apertados torna os serões e madrugadas ainda uma rotina em agências, veículos e produtoras.

Mas nada disso matou as artes gráficas ou o bom gosto, pelo contrário temos uma produção cada vez mais rica e diversificada. Também houve esse processo quando da invenção do equalizador de som, quando se ouviam gritos indignados de “agora qualquer um pode fazer sons, mas nada disso é música!”. O processo de nivelamento das aptidões se dará naturalmente, como se deu namúsica. Além disso não acredito que o computador tenha ”tirado a arte” dos processos de edição de imagem por exemplo. Meu pai, fotógrafo, certa vez repetiu para mim o discurso de que “o processo digital e o Photoshop tiraram algo de artesanal da fotografia”.

Desculpe, pai, mas discordo. Ao fazer uma foto digital hoje, imagino que haja mais um processo além dos tradicionais “escolher, enquadrar, clicar, revelar, cortar, ampliar”. Há inúmeros filtros no Photoshop que são injustamente acusados de “anti-artísticos”, mas que no fundo fazem o efeito que se conseguia, antes, chacoalhando o revelador de tal ou tal maneira diferentes – vejo o tratamento digital de uma fotografia, hoje, como era no laboratoria ha alguns anos, só que sem a luz vermelha limitando a visão: o artista gera um feicho de pura luz que chega até ele formando a imagem (a tela), e ali ele manipula cada parte da luz (vermelho, verde, azul) ou da tinta (ciano, magenta, amarelo, preto) para conseguir resultados extraordinários – o artista brinca com a luz que dança à sua frente, ao seu gosto. A primeira coisa que digo aos meus alunos de Photoshop é: Esqueça que está diante de uma máquina, pense na imagem, só nela e no que você quer dela – o filtro que você vai usar aparecerá naturalmente.

Imagino que daqui a algumas décadas poderemos ouvir alguém dizendo: “No meu tempo é que era tudo artesanal, o Photoshop tinha que ser pensado, entendido… Manipulávamos camada por camada, tinha o brush e as canetas gráficas que obedeciam à pressão da mão… Hoje você diz – trate a imagem! – e está tudo pronto!”

Não sei o que o futuro nos revela, mas o presente me parece ótimo!

 

29-02-08 Posted by | Arte, Design, Foto, Ciência e Tecnologia, Comunicação e design | 2 Comentários