Blógico!

Pensamento, cultura, artes, boas notícias

Sem perguntas

Depois de três dias em uma cidade sem luz, água, telefone ou estradas, sem poder sair e recebendo noticias esparsas sobre a catástrofe em Friburgo, ali do lado, finalmente consegui chegar ao Rio. Ainda com a alma em silêncio, eis que me deparo com a cobertura piegas, apelativa e fraca da Globo. Quando o repórter perguntou se a menininha queria voltar pra casa, uma pergunta gritou: O QUE ESTE CAMARADA FAZ AI?

Este é um conto relâmpago sobre outro repórter – e a mesma menina.

O pai assistia ao jornal e apareceu a repórter de taylleur na chuva, com o microfone na mão; Foi quando Filho, que tinha o mesmo nome do pai, se apaixonou pela primeira vez e decidiu ser repórter. Mas a repórter de taylleur gaguejou e Filho conheceu o medo da pergunta, que se mostrava um terrível inimigo.

Filho cresceu, fez vestibular e passou para jornalismo, aprendia fácil mas a PERGUNTA parecia sempre indecifrável. Estudou entrevistadores famosos, técnicas de biografia, entrevistas históricas, a arte de querer saber em várias culturas. Seu trabalho final foi sobre a “dificuldade de extrair conteúdo no tempo imediato das transmissões eletrônicas”, ou algo parecido, mas foi publicado simplesmente como “A Pergunta – de Repórter Filho”. Fez sucesso, mas Filho ainda não estava seguro.

Pelos seus méritos conseguiu estágio numa grande emissora e quiz o destino que logo houvesse uma calamidade que deslocou todas as equipes para a região serrana; lá estava Filho cobrindo a história em seus primeiros dias, ensopado de chuva como sua primeira paixão estivera. Foi quando o repórter quebrou a perna com uma queda de árvore e o assistente teve diarréia graças à água poluída. O microfone veio parar na mão de Filho, ENTRAMOS EM DOIS MINUTOS, na cconfusão o câmera nem percebeu que focava o estagiário assustado. Entre os desabrigados uma menininha que perdera a casa. Luz, câmera, tensão!

De repente era ele, a câmera e a PERGUNTA que deveria fazer a uma menina que perdeu a casa. Em último caso sairia com um “você quer voltar para casa?” e pronto, pauta cumprida e um começo memorável. Sõ que algo nisso desconfortava Filho, e não havia tempo para pensar: NO AR!
– Boa noite! Aqui na Serra de Caibarro a situação é trágica. Dezenas de voluntário se revezam na triagem de doações enquanto essas famílias etc etc etc…

Olhou para a menininha no momento decisivo. Que pergunta fazer? Tomado pela incerteza, simplesmente se abaixou e disse olhando nos olhos dela:

– Olha, eu sei que sua casinha foi embora, mas a sua mamãe está aqui e vai cuidar de você tá?

A menina devolveu com lágrimas de dor e alívio; falou da casinha, da boneca perdida, da mamãe e do cachorro. O relato ficou no ar por quatro minutos (e meio), deu picos de audiência, recordes de acessos e repercussão internacional. Mas durante aqueles quatro minutos (e meio) Filho não se deu conta de nada, estava só conversando e acariciando uma menininha que perdeu a casa. Eram eles dois, sem câmera nem perguntas.

Em sua carreira, Filho entrevistou mais de quatrocentas e cinquenta pessoas ao redor do mundo, incontáveis horas de conversas sinceras, comoventes e verdadeiras. Sem uma pergunta sequer.

 

Em memória das vítimas das  águas e da imprensa.

15-01-11 Posted by | Contos, Desabafo | , , | 2 Comentários

Estaremos confundindo

Atendente recém-contratado, depois de passar pelo treinamento intensivo.

Os esforços das empresas para manterem-se epróximas de seus consumidores, tornando suas vidas fáaceis e agradáveis, parece não ter chegado ao atendimento ao cliente, se é que têm saído do papel…

Enquanto as operadoras de telefonia celular disputam o primeiro lugar nos rankings de reclamações, ninguém respeita a recente lei do teleatendimento e ao que parece os procedimentos são pensados para livrar a empresa da ira do cliente, e não para saná-la.

Gasta-se muito para desenvolver sistemas de reconhecimento de voz capazes de interagir com o cliente, mas com que proposito? Oferecer melhor e mais rapido atendimento? Não: poupar gastos com pessoal. Muito já se gastou em pesquisa e desenvolvimento para fazer cojm que a máquina pareça humana…Por outro lado os treinamentos dos atendentes (por enquanto) humanos estabelece um roteiro de procedimentos, de modo que qualquer coisa fora desse roteiro extrapola as capacidades de decisão do atendente.

Gasta-se com as máquinas para fazê-las parecer humanas, e gasta-se com as pessoas para fazê-las agir como máquina. Como pode dar certo?

Pbl.

18-11-10 Posted by | Comunicação e design, Denúncia, Desabafo | , , , | Deixe um comentário

Eu tenho a força

Recentemente twitado por @jonasmk, um anuncio espanhol ganhou o mundo pela internet. Parodiando o He-Man um cara de hoje, um (pausa dramática) coroa. Ok, estou bem mais em forma do que ele, mas ver a minha geração ali retratada me fez, s[o de birra, não gostando  do anúncio.

Eu e o He-Man somos da última geração de impressionáveis – aqueles que cresceram nos últimos segundos em que a ficção estava dentro da cabeça, não no mundo real. Hoje ninguém tem um “primeiro computador” – o cérebro eletrônico está em toda parte. O meu primeiro foi um MSX-Expert Plus, trambolho que precisava de uma tevê em cima pra servir de monitor.  E impressionava um moleque de treze anos.

Os últimos impressionáveis se junntam para defender o mundo contra o mal.

Nós, os últimos impressionáveis, derradeiras testemunhas do velho mundo, vivemos nosso próprio futuro depois de assistir à ficção pipocar no cootidiano. Não se explica a alguém de dez anos o encanto que pode provocar o celular ou a internet. Mesmo digitalizado e atualizado, alguém que um dia foi apresentado ao mundo sem essas coisas sempre diz um “uau” interior de vez em quando, sem que ninguém perceba sua admiração pelo banal.

O futuro é hoje pra quem sabe olhar de novo, com um olhar novo

Um exercício tântrico consiste em observar uma rosa com o mesmo espanto da primeira vez; a despeito da simplicidade muitos tentam ha mais de cinco mil anos, e poucos conseguiram. Enquanto isso um publicitário carioca se espanta, aos setenta e seis anos, toda vez que passa pelo Aterro do Flamengo e seus postes quilométricos sob as luzes de aviões que chegam e saem do Santos Dummond…. Um cenário que, se observado pelos olhos do menino que ele foi um dia, crescido entre bondes e charretes, o faz admirar-se.

Não tenho nenhuma saudade do MSX; sinto falta das coisas que já sonhei e ainda não vi, mas não sinto falta dos sonhos; algo me diz que devo agarrar-me à capacidade de re-conhecer as coisas, mesmo que renasça mil vezes cercado de prodígios.

Pbl.

29-10-10 Posted by | Crônica geral, Desabafo | , , | Deixe um comentário

Santa barbárie !!!

Agora que o carioca começa a se dar
conta do nível bélico atingido na guerra
cootidiana – agora que não chovem apenas
balas, mas também aeronaves… Agora…
E AGORA???!!!
Já esquecíamos o último rompante de
violencia, não sei se Garoto arrastado,
Bebê fuzilado pela polícia, Roubo de
armas no quartel ou Sequestro do 175…
Sei que quando já esquecíamos, um
helicóptero da polícia militar caiu em
nossas cabeças, explodindo no campo das
consciênias amortecidas.
Décadas de exclusão sistemática
transformaram o Rio de Janeiro em palco
do bárbaro espetáculo carioca deste
começo de século: território fragmentado
e ocupado por organizações criminosas
armadas; população vítima impotente de
confrontos sem fim; classe média
confinada em casa ou nos shoppings e
ricos gastando rios caldalosos de
dinheiro em fortalezas, blindagens,
cãmeras, sensores e alarmes – comprando
a melhor proteção enquanto o resto da
população faz o que pode com precauções,
orações e Lexotan.
Sempre soluções particulares (com
excessão das orações em nome de todos)
para um problema que é público.
Desde o início dos anos 90 o discurso do
“privado-acumulativo-o-social-é-
consequência” vem sido martelado e
repetido. Precisamos do onze de setembro
para questionar verdades absolutas que
vinham guinando o mundo para o suicídio.
Mas participar saiu de moda.
Pois é participação da popuação o que
falta para esta e tantas outras
metrópoles superarem a doença de ser
violento, seja atirando ou excluindo,
ferindo ou se omitindo, roubando ou
abandonando, sequestrando ou esquecendo.
Não fazer nada também é uma violência.

Agora que o carioca começa a se dar conta do nível bélico atingido na guerra cotidiana – agora que não chovem apenas balas, mas também aeronaves… Agora… E AGORA???!!!

Já esquecíamos o último rompante de violência, não sei se Garoto arrastado, Bebê fuzilado pela polícia, Roubo de armas no quartel ou Sequestro do 175… Sei que quando já esquecíamos, um helicóptero da polícia militar caiu em nossas cabeças, explodindo no campo das consciências amortecidas.

Décadas de exclusão sistemática transformaram o Rio de Janeiro em palco do bárbaro espetáculo carioca deste começo de século: território fragmentado e ocupado por organizações criminosas armadas; população vítima impotente de confrontos sem fim; classe média confinada em casa ou nos shoppings e ricos gastando rios caudalosos de dinheiro em fortalezas, blindagens, câmeras, sensores e alarmes – comprando a melhor proteção enquanto o resto da população faz o que pode com precauções, orações e Lexotan.

Sempre soluções particulares (com exceção das orações em nome de todos) para um problema que é público. Desde o início dos anos 90 o discurso do “privado-acumulativo-o-social-é-consequência” vem sido martelado e repetido. Precisamos do onze de setembro para questionar verdades absolutas que vinham guinando o mundo para o suicídio.

Mas participar saiu de moda. Pois é participação da população o que falta para esta e tantas outras metrópoles superarem a doença de ser violento, seja atirando ou excluindo, ferindo ou se omitindo, roubando ou abandonando, sequestrando ou esquecendo.

Não fazer nada também é uma violência.

Presença dos deputados da Alerj

Email do seu deputado estadual

Plano diretor da Cidade do rio de Janeiro

Transparência Olímpica – Rio 2016

Ouvidoria da Polícia Militar

Ação da cidadania contra a fome, a miséria e pela vida

CUFA _ Central Unica das Favelas

Uma triste versão carioca para o 11 de Setembro

Uma triste versão carioca para o 11 de Setembro

Pbl.

No próximo post: Nós adoramos os bandidos…

19-10-09 Posted by | Desabafo, política | Deixe um comentário

Incolor

Um pombo incolor desce o nublado vão
Da inspiradora paisagem de concreto
O império do ãngulo reto
Sob as asas desse rato impune
É um hiato na razão,
Uma distância que nos une

Buscando seu banquete
Cisca meu peito o bicho arredio
Vasculha o vazio aonde homem pisa
E tudo é sóbrio, claro e sombrio

Sob o céu,  sobre o chão, em toda parte
A arte se esconde no dia cinza
E no coração tremula o estandarte
Da vastidão desta terra nula e boa
Aonde sorrir a toa é o maior desafio.

Pbl

17-02-09 Posted by | Desabafo, Poesias | Deixe um comentário

Para deleitar-se, ó pá

Quem diria que o épico autor dos Lusíadas seria assim um coração de manteiga (numa época em que não havia geladeiras para se manter a manteiga sem derreter à toa.) Luiz Vaz de Camões dispensa títulos ou comentários. Heis um de seus intermináveis sonetos de amor. Este diz muito por mim, em suas poucas palavras.

Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou enganoso.

Amor é brando, é doce e é piedoso:
Quem o contrário diz não seja crido,
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e ainda aos deuses, odioso.

Se males faz Amor, em mim se vêm;
Em mim mostrando todo seu rigor,
Ao mundo quiz mostrar quanto podia.

Mas todas as suas iras são de Amor;
Todos esses seus males são um bem
Que por outro bem não trocaria

Luis Vaz de Camões (c. 1524 — 10 de Junho de 1580)

Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 10 de Junho de 1580)

 

 

 

 

 

08-02-09 Posted by | Desabafo, Poesias | Deixe um comentário

Mil motivos para me manter otimiista

Como já dizia o poeta (aquele poeta anônimo evocado quando não sabemos da origem de algo pretensamente bonito de que falamos), “Otimismo não é um estado de espírito, é um modo de encarar a vida”. Ou será que ele, o poeta, disse isso do humor? Tanto faz, estaria correto em ambos os casos. Frequentemente reproduzimos chavões como “Os tempos são duros”, “Não se há tempo para mais nada”, “Inversão de valores”, “Onde este mundo vai parar?” e tantos outros, dando eco ao côro dos cabisbaixos inveterados, aumentando a porção de desesperança diária. Os tempos são duros mesmo, e muito, realmente não temos tempo para quase nada além de trabalho, é fato que há uma “migração” de valores e eu confesso que também não sei onde este mundo vai parar (ninguém sabe afinal), mas não vejo em nada disso motivo para lamentação ou desânimo – vejo antes tantos outros motivos para crer mais e sempre na raça humana e no seu progresso moral, e vou tentar expô-los nessas tortas linhas de raciocínio.

Leonardo Boff disse em uma palestra na USP (provavelmente citando um poeta) que precisamos ser pessimistas no diagnóstico e otimistas na ação. Seria inútil desfraldar as intermináveis razões pelas quais achamos que “O mundo está perdido” (outro chavão), mas vejamos o contexto geral em que vivemos, e que já é ótimo material para um diagnóstico pessimista:

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12-04-08 Posted by | Carta Aberta, Desabafo, Mundo melhor | , , | Deixe um comentário

Pretensioso, eu? Sim, confesso…

Para completar os comentários que fiz sobre minha vida na favela (ver post “Registro em Fotos 2“), e ainda para declarar mais uma vez meu amor pelos terraços (ver post “Lugar Nenhum“), esta crônica escrevi em 2001 – muito pretensiosa, eu sei, se quiser parar a leitura no meio eu vou entender 😉

“Buscava refazer o caminho que me trouxera até ali. Parecia que toda minha trajetória podia se resumir àquela imagem da noite. No terraço, bolha de breu entre as luzes da favela, me espichava sem mover músculos, como só é possível sobre as redes. Senti-me capaz de absorver-me e viver as memórias mais imediatas, o que também é uma forma de estar no presente. Neste raro momento, fui épico.

Mas uma lacuna, silenciosa e doce, se impunha. O que era, senão um vazio tão repleto que se abstinha de qualquer angústia, compaixão ou calmaria? Restava-me somente sê-lo – e até hoje, como se na memória do coração viessem gravadas as lembranças dos olhos, vejo a mureta, a encosta à frente com suas casas amareladas de tempo, pobreza e luzes baratas, o céu desestrelado, embaçado pela presença luminosa da cidade e o zigue-zague do varal de longos arames açoitando todo esse esboço de paisagem.

O tempo veio e virá, e eu podia sentir a torrente como se, sempre levado pelas águas, de repente agarrasse um galho e sentisse no corpo, pela primeira vez, que a água corre, enfim.

Certa vez, por volta dos dez anos, estava na cozinha com minha mãe. Devia ser um sábado, tarde talvez nublada, mas dia e hora não chegavam à cozinha sem luz natural, e reinava a lâmpada fluorescente, provendo quase sempre a mesma atmosfera. O assunto era uma das eternas tensões que sempre nos seguiram e uniram, e eu já vinha ouvindo palavras mais rígidas, até que mãe se perdeu em repreensões, dedo levantado e carranca colérica, coisas que para um menino sempre são um tanto vagas. Encolhido no canto do chão aonde já me encontrava eu via minha mãe se precipitar naquele ângulo ameaçador, e apesar de saber nulo o risco de um tapa sequer, me perdia na confusão do esporro e de meu desentendimento. De súbito me passou que se mãe morresse no dia seguinte aquela imagem ficaria talhada enquanto eu vivesse, e me ocorreu fixar a imagem, com a atenção que ela mereceria se um dia se tornasse sagrada. Apreendi todos os nuances de luz que já me eram tão familiares e ali faziam outras sombras. Me dedicava com fervor em fixar em nobre espaço da memória o quadro daquela mulher que cuspia lições rígidas, punha o dedo firme na minha cara e tentava me abrir os olhos para alguma coisa, com um naco da geladeira amarela ao lado e a lâmpada fluorescente bem em cima, ofuscando e renegando a professora às sombras. Mãe não morreu no dia seguinte, eu não me importei com a natureza macabra desta estranha forma de amor e a imagem está em exposição permanente aqui dentro, até sempre.

Já vem de muito, então, a minha fixação em fixar imagens, e tanto a tarde na cozinha quanto a noite no terraço não precisaram se encher de surpresas ou terrores para estarem eternizadas em mim. Na rede, lamentava pela enésima vez que na cidade as estrelas fossem tão tímidas, mas elas haviam, e cada uma era um clarão de século que eu atravessava esperando o retorno da cria ao colo.”

08-04-08 Posted by | Contos, Desabafo | , , , | 1 Comentário

Blogada solitária

Pelo Dia Internacional Sem Post no Blógico 😦

24-03-08 Posted by | Desabafo | 1 Comentário

Registro em fotos 2

Umas das melhores épocas de minha vida foi quando morava de favor numa favela, subia uma ladeira e tanto pra chegar em casa e às ezes me desviava de uma bala perdida ou duas.

A favela é uma quando lida no jornal, outra no imaginário comum e uma outra ainda, quando vivida e vista lá de dentro. Pobreza é antídoto para a perda total dos vínculos sociais, a necessidade reagrupa em torno de uma lage ou parede a ser erguida, ou um churrasco, ou uma parede que deve ser pintada. O “gritofone”, jamais é ouvido nos condomínios silenciosos da Zona Sul, onde pode-se morar por vinte anos sem saber o nome da pessoa que está logo ao seu lado.

Entre 1999 e 2004 aprendi a amar aquele lugar, e ainda vejo gente espantada quando digo que amo essas fotos e as acho lindas. “Lindas? Como assim…?!” Se é uma prova patente de como tratamos uns aos outros hoje em dia, se é um monte de desencanto amontoado na encosta de uma vida dura, áspera – se é afinal isso que se vê, como pode ser lindo?

Pois é lindo, senhoras e senhores, não somente as fotos como também o lugar. Lindo porque é construído e mantido com muito suor e teimosia em viver. Fico muito agradecido à vida por ter me trazido essa experiência, que foi ótima para matar muitos preconceitos e lugares-comuns na minha mente que se achava tão prafrentex.

De volta aos prédios silenciosos, tento arduamente, dia-a-dia, criar algum vínculo com as pessoas que me cercam – alguns se fazem conhecer e parecem também afoitos por contato humano sincero, mas a maioria estranha e desconfia do mais simplório “bom dia!”. Geralmente os moradores estão entre os mais arredios – os faxineiros e porteiros, esses sim entendem a linguagem da simpatia gratuita, da aproximação, do calor. Quando foi que aprendemos a viver assim tão distantes, mesmo amontoados?

Seguem as vistas que recolhi do terraço da (então) minha casa, aquele terraço que me aclheu em momentos de meditação, amizade, amor, ginástica…


Em 1999, a vista que hoje é tão diferente, graças à vida que fervilha naquele lugar e em tantos outros.

Pôr do Sol em 2001

Carnaval de 2002 – os holofotes do sambódromo rasgam o céu anunciando tempos de fantasia.

Madrugada, 2003 – Tive que estender lençóis por todo o terraço, no varal, para me esconder por trás deles ao fazer esta foto; questão de sobrevivência básica no ambiente selvagem.

Em breve um post só sobre terraços – todos os lugares em nenhum.

Pnl.

18-03-08 Posted by | Arte, Design, Foto, Desabafo | 3 Comentários