Blógico!

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Oásis da imprensa

Ainda sobre a CONFECOM e as comunicações no Brasil, um oásis de imprensa livre está fazzendo uma cobertura especial.

O Observatório do direito à comunicação preparou um BLOG especial para fazer a cobertura do evento. Quanto à Globo… Nunca tive esperanças de que ela mudasse seus padrões editoriais só pra fazer o mundo ficar melhor e mais justo, imagina se isso justificaria tal investimento e risco…

De fato, após consultar ao Dudu Azevedo, que trabalha com comunicação e movimentos populares,  vídeo e redes solidárias, fiquei mais esclarescido: O Jornal Nacional não divulga a Confecom justamente porque ela É relevante e porque toca diretamente na hegemonia das grandes redes de TV e rádio, uma vez que discute os movimentos de comunicação alternativa, independente e popular que surgem por toda parte, graças à democratização dos meios de produção e difusão midiática, a saber Internet e mídias digitais.

Nas palavras de Ddu Azeveddo:

“Temos que aprender a ler jornal de trás para frente (…) e ainda adivinhar o que eles não estão falando e que, portanto, deve ser importante.”

Acusam a Confecom de querer amordaçar as grandes empresas de comunicação.  Amordaçar a grande imprensa é impossível: ela já é dona do Brasil.  Não creio que essa seja uma pretensão séria, nem da esquerda mais babaca do país..

O que me parece ser desejável para muitos que foram à conferência é que o maior número de instituições representativas de brasileiros possam se posicionar através de meios de comunicação, como TVs públicas, rádios comunitárias, jornais de papel e jornais virtuais etc.  Mas o que eles temem é que já sabem que se isso for possível agora, serão prejudicados no futuro quando os atuais midialivristas começarem a ganhar grandes contingentes da população para suas mídias alternativas.  Aí essas mídias já não serão alternativas mas sim novas mídias verossímeis.”

Se você quiser receber o boletim do Dudu Azeverdo por email, escreva para lfdudu.azevedo@yahoo.com.br pedindo a inclusão do seu nome.

Pbl.

No Próximo post: A comunicação independente do Cultura Nativa e a revolução safra-a-safra

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16-12-09 Posted by | Comunicação e design, Denúncia, Entrevista, política | , , , , | Deixe um comentário

Eu, morador de apartamento funcional

lixoEntrevista gentilmente cedida por estudante da UnB ao Blógico, via email

Foi um cálculo que me assustou, pensei que tinha feito a conta errada mas era exatamente aquilo, realmente o apartamento funcional do reitor da UnB teve MIL VEZES MAIS VERBA do que cada apartamento funcional de estudantes. A cobertura oficial da imprensa passou discretamente pelo detalhe.

Enquanto o palacete do reitor recebia R$ 470 mil para adquirir o que de mais luxuoso se pode imaginar em termos de supérfluo, as outras 300 unidades dedicados a estudantes da graduação foram agraciadas com R$ 100 mil, o que dá módicos trezentos reais de investimento, em média, por apartamento no mesmo período.

Intrigado com a disparidade, depois de enviar a carta aberta ao reitor e à diretoria da FINATEC (os cinco senhores que acabaram sendo afastados do cargo), me dirigi aos estudantes da UnB em carta de solidariedade, procurando saber em que condições se encontravam os seus apartamentos funcionais. Já imaginava encontrar vozes exaltadas e insatisfeitas, mas me deparei com uma situação totalmente alarmante.

Muito antes da denúncia do MP contra a FINATEC, que trouxe à tona os gastos injustificáveis em decoração, os estudantes já haviam feito inúmeras manifestações, passeatas, acampamentos, vigílias e reuniões reivindicando melhoria nas condições de suas unidades, que já ha anos encontram-se abandonadas e esquecidas pela reitoria. Foi preciso a queda de uma marquise para que a UnB tomasse a medida (genial) de tirar todas as outras marquises! Resultado: infiltrações, calor e desrespeito ao patrimônio arquitetônico. Altíssima concentração de recursos nas mãos de poucos, descaso de autoridades com os riscos que correm a população e outros absurdos que só repercutem quando alguém morre ou é indiciado: o caso dos apartamentos funcionais da UnB reflete com fidelidade o quadro público e político de nosso país.

Thiago Silva RochaThiago Silva Rocha, 21 anos, estudante do 4º período de Engenharia Mecatrônica, vive esta realidade dia a dia – ele é um dos muitos estudantes que mora nesses apartamentos esquecidos pela alta cúpula acadêmica tão preocupada em receber delegações estrangeiras com luxo. Thiago faz um depoimento claro, honesto e riquíssimo em detalhes, na esperança de que as goteiras, o abandono, os pisos soltos, as infiltrações e a desorganização em que vive não passe à próxima geração de estudantes que virá habitar ali;

O Sr. Timothy Mulholland já não habita as principais manchetes, outros absurdos já tomam o lugar deste verdadeiro caso de descaso. Mas se a grande imprensa é vítima de sua própria ânsia de gerar novidades a cada momento, vamos aproveitar esta incrível mídia nova e democrática que é a Internet para, mais do que repercutir, refletir assuntos – afinal o esquecimento cômodo das desgraças que passamos é uma das causas daquelas que ainda vamos passar.

Veja a entrevista na íntegra:

Blógico — Em que condições encontram-se os apartamentos funcionais destinados a estudantes da UnB, em termos de conservação e decoração?
Thiago S.R. — Nessa pergunta a que se fazer um esclarecimento. A Universidade de Brasília possui duas casas de estudantes: uma localizada ao lado do Centro Olímpico, destinada aos estudantes de graduação, e outra localizada na Colina, destinada aos estudantes de pós-graduação. Quanto à última não possuo informações suficientes para discorrer sobre suas condições, já a “Casa” da graduação, onde moro, tem muitas evidências de sua preocupante situação. Falando em termos práticos, a decoração dos apartamentos é inexistente, exceto os casos em que o próprio morador se ocupa desses afazeres. Quanto ao estado de conservação, as condições são realmente preocupantes. O rol de elementos defeituosos ou inexistentes é verdadeiramente imenso: portas com maçanetas defeituosas ou ausentes e com dobradiças enferrujadas, paviflex desgastados pelo uso; pouco mobiliário dos apartamentos que está ha muito carecendo de revisão, falta de lâmpadas ou defeito e capacitores e reatores, vasos sanitários e torneiras com vazamentos enormes, degraus da escadaria interna com rachaduras, esquadrias das janelas enferrujadas parcialmente ou totalmente (existe o caso recente de um vidro de janela que simplesmente descolou da esquadria, por sorte o ocorrido foi num momento que as moradoras estavam dormindo), entupimentos em grande parte dos escoadores de água (que já são poucos), goteiras em inúmeros apartamentos (outro caso bastante preocupante ocorre num apartamento em que existe várias goteiras e esse apartamento fica em baixo de uma caixa d’água gigantesca), infiltrações de água durante chuvas por aberturas em janelas e em junções de concreto, entre outros defeitos depredações por tempo e mal uso.

Blógico — Essas condições são consideradas satisfatórias para suprir às necessidades de moradia?
Thiago S.R. — De forma alguma são condições satisfatórias, ao contrário todas elas evidenciam o descaso com que nós moradores somos tratados. Vivemos em uma construção que está caindo aos pedaços literalmente.

Blógico — Quantos estudantes moram em média por unidade?
Thiago S.R. — De forma legal temos o número de quatro moradores por apartamento e mais uma concessão optativa de uma quinta vaga. A verdade é que existem apartamentos com vários moradores ilegais e outros com moradores abaixo do número mínimo de vagas por conta de que alguns se julgam senhores de seus apartamentos e se recusam a receber novos moradores.

Blógico — Qual o critério utilizado pela UnB para o ingresso de estudantes nesses apartamentos?
Thiago S.R. —
É feita semestralmente uma avaliação socio-econômica para novos requerentes de bolsa moradia. Os critérios principais são: requerentes que não possuem família no Distrito Federal, primeira graduação com preferência para calouros e classificação como baixa renda pela avaliação socio-econômica.

Blógico — Como foi resolvido o caso da queda de marquise em 2006?
Thiago S.R. — A providência tomada foi a retirada imediata de todas os outros brises (brise soleil é o nome correto). Essas retiradas geraram novos problemas como as infiltrações de água de chuvas por conta do abalo causado às estruturas durante as retiradas e a ausência de proteção contra a luminosidade excessiva dentro dos apartamentos, lembrando que as fachadas dos apartamentos são quase totalmente cobertas por janelas de vidro sem nenhuma proteção solar. À época foi feita promessa por parte da Universidade de recolocação de novos brises no prazo de 45 dias contados à partir do fim das retiradas, pois bem, dia 21 de janeiro último “comemoramos” o aniversário de um ano da queda do primeiro brise sem que até então nenhuma providência de recolocação tivesse sido tomada.

Blógico — Qual a última vez em que houve reforma ou reparos nesses apartamentos?
Thiago S.R. — Sou morador há um ano e meio e nunca soube de reforma alguma.

Blógico — Foi visível o uso da verba de R$ 100 mil para este fim, destinada pela UnB no período de 2007?
Thiago S.R. — Não consigo de forma alguma enxergar como um conjunto de colchões de baixa qualidade (um por morador), uma geladeira e um forno de microondas para uso comunitário possa ter custado 174 mil reais.

Blógico — Há casos em que estudantes arcam com despesas emergenciais e/ou de reparos nestas unidades? Quais?
Thiago S.R. — Vários são esses casos. Lâmpadas, reatores, mesas, cadeiras, prateleiras, desentupimentos, correção de vazamentos e goteiras, pinturas, entre outros.

Blógico — Quais as principais reivindicações dos estudantes da UnB em relação a melhorias de infra-estrutura na universidade, como um todo?
Thiago S.R. — Os prédios da nossa Universidade foram em sua maioria construídos baseados em normas e conceitos da década de 60, por isso muitas são as demandas de infra-estrutura no campus. Os acessos a deficientes são insuficientes ou inexistentes e os sistemas elétrico e hidráulico não atendem às demandas, sendo constantes as faltas de água e quedas de energia; existem problemas enormes de infestações por animais e insetos, infiltrações, má ambientação dos espaços internos e outros.

Vinheta 01

18-02-08 Posted by | Carta Aberta, Crônica geral, Entrevista | , , | 1 Comentário