Blógico!

Pensamento, cultura, artes, boas notícias

Herói da Resistência

Neste mundo de conveniências, confortos entorpecentes e incômodos apelos de comodidade, lutam por ar puro e pelo direito de gritar alguns trabalhadores incansáveis do bom senso e da verdadeira arte: aquela que arrebata o artista e usa-o como mero instrumento de propagação do impulso da vida.

Victor Carlos Alexandre Conde Valevsky Colonna tem um talento mais extenso que o próprio nome – é poeta de mão cheia, escritor de mão pesada que pensa à mão livre.

Uma força da natureza que se prepara para lançar seu segundo livro, Cabeça, Tronco e Versos (obra-prima de uma vida que é “um livro aberto – a faca) e que mantém o incrível blog Deitando o verbo. Visite e deleite-se.

Sujeito Oculto

Pbl.

23-04-09 Posted by | Arte, Design, Foto, Poesias | 1 Comentário

Incolor

Um pombo incolor desce o nublado vão
Da inspiradora paisagem de concreto
O império do ãngulo reto
Sob as asas desse rato impune
É um hiato na razão,
Uma distância que nos une

Buscando seu banquete
Cisca meu peito o bicho arredio
Vasculha o vazio aonde homem pisa
E tudo é sóbrio, claro e sombrio

Sob o céu,  sobre o chão, em toda parte
A arte se esconde no dia cinza
E no coração tremula o estandarte
Da vastidão desta terra nula e boa
Aonde sorrir a toa é o maior desafio.

Pbl

17-02-09 Posted by | Desabafo, Poesias | Deixe um comentário

Para deleitar-se, ó pá

Quem diria que o épico autor dos Lusíadas seria assim um coração de manteiga (numa época em que não havia geladeiras para se manter a manteiga sem derreter à toa.) Luiz Vaz de Camões dispensa títulos ou comentários. Heis um de seus intermináveis sonetos de amor. Este diz muito por mim, em suas poucas palavras.

Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou enganoso.

Amor é brando, é doce e é piedoso:
Quem o contrário diz não seja crido,
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e ainda aos deuses, odioso.

Se males faz Amor, em mim se vêm;
Em mim mostrando todo seu rigor,
Ao mundo quiz mostrar quanto podia.

Mas todas as suas iras são de Amor;
Todos esses seus males são um bem
Que por outro bem não trocaria

Luis Vaz de Camões (c. 1524 — 10 de Junho de 1580)

Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 10 de Junho de 1580)

 

 

 

 

 

08-02-09 Posted by | Desabafo, Poesias | Deixe um comentário

Épica

Esta coisa ao pé da língua é fatal
Nunca mingua e de fato não se cansa
De vencer todo encanto no seu ato
De ser a tal e me fazer criança

Formosura de lembrança preferida
Ofusca o mundo e a tela se transborda
Quando vem, ela é de um bem que um morto acorda
Quando vai derrama o doce de mil vidas

Dançando pelo assédio dessa mão
No compasso de absurdos mais ferinos
Balança e rouba o gostinho da atenção

Tão bonita para o apelo dos meninos
Conhece e dita a receita do calor
Bunda épica, clamor da perfeição!

para uma bunda em especial 🙂

14-07-08 Posted by | Poesias | , , | 2 Comentários

Post rasgado

Já falei aqui uma vez sobre o Sons de Sonetos, blog maravilhoso do amigo André Luís, que garimpa obras-primas da literatura independente em forma de sonetos (com exceção do meu “Primeiro e último Soneto”, que pode-se dizer no máximo um esforço honesto de não fazer besteira).

Ontem bati o olho na mais nova publicação deste blog primoroso, o soneto “Aos Trancos e Barrancos“, de Eloah Borba, e fiquei sinceramente emocionado com a qualidade dos versos que o André escolhe para publicar.

Não resisti e comentei também em forma de soneto, um elogio rasgado ao poeta editor do blog e aos “gigantes esquecidos” que ali se encontram.

Falta primor em muitas rimas, algumas até óbvias, não há versos decassílabos etc mas a intenção não era superar o soneto que eu comentava (até porque isso seria impossível para mim). Eis o soneto:

COMENTÁRIO RASGADO

De certeiros sentimento e simetria
É não somente cada poesia
Como a escolha dos gigantes esquecidos
Que neste blog podem dizer-se lidos

Meu orgulho pulsa noite adentro
Por estar aqui enfileirado
E o peito, alagado de contentamento
Curva-se ante nomes de talento escancarado

Ouvir no vento os sons de sonetos
É renovar o peito castigado
E seguir sem precisar de nada

Vir aqui uma vez ao dia
É meter o dedo na tomada
E carregar a fatigada bateria

E não esqueça de visotar agora o Sons de Sonetos! sondesonetos.jpg

Pbl

03-04-08 Posted by | Poesias | , , | 3 Comentários

Poesia em foto: Soneto “Canto de Sombra” e as sombras que deram à luz seus versos

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Corre solto na madrugada o canto
Da procissão de solidões em coro
Abrindo no canto do peito um choro
Que sai mudo – ao avêsso – em desencanto

O silêncio, irmão mais velho do suplício
Esse mistério tão difícil de alma ingrata
Rouba-me o sono outra vez e me mata
Na vigília de penar em sacrifício

O tédio vem no encalço e não percebo
Que remédio pra torpôr é atitude
A insônia é que não passa de placebo

Ali ao pé do muro, a mancha de breu
Que se entrega ao sussurro da quietude
Ainda por esta noite sou eu!

Pbl

13-03-08 Posted by | Arte, Design, Foto, Desabafo, Poesias | 4 Comentários

Poema de poucas palavras

Por Beatriz Câmara – 2007 

Hoje me faltam as palavras
Para esse poema que se faz em mim
Lateja e pulsa
Em todo o meu  SER

Faltam palavras
Para expressar
O poema que já se fez
O poema que já é

Necessito escrever
Esse mar de sensações
Nesse profundo silêncio
De palavras…

Torre a desmoronar
Sem pressa
Passo a passo
Cuidadosamente

Observo e sinto
A cada noite
A cada dia
A cada instante

Escrevo , silenciosamente
Escrevo-me!

24-02-08 Posted by | Poesias | 9 Comentários

Intimidade passada a limpo

Intimidade, profana intimidade
Remédio pra quem ama e tem saudade
Hoje eu acordei com teu cheiro
Nos quatro cantos da cama
No corpo e no bairro inteiro
Além de toda cidade
.

E digo sem embaraço
Toda vez que isso acontece
Furto desse cheiro um abraço curto
Enquanto a vida lá fora amanhece

Depois me entrego ao dia
Com tal alegria e furor
Que perdido, encontro a via
E cego reconheço a cor

Na lembrança daquela tarde bonita
O minuto astuto se arrasta
A solidão sozinha me basta
E qualquer celibato me excita

Você é fermento de tempo
É presente com laço de fita
Eu sou uma caixinha de palavras
Poeta é esse amor que me habita

10-02-08 Posted by | Poesias | 2 Comentários

Pétala

Por um instante és Pétala
E sou eu quem diz teu nome clandestino
Pra que o tempo te busque
E não haja em mim senão teu nome

Não seja senão teu gosto
Pendão do desgosto de não senti-lo
Quando destilo e desisto de lutar

Não sinta senão teu cheiro
Que toda esquina traz
Vem traiçoeiro, me atravessa e jaz

Por um instante não tens espinhos
E sou eu quem te fere com os dedos
Enquanto brotam linhas à ponta da língua

Ervas daninhas
Da escência que mingua à ausência tua.

Pablo Ramos 

30-01-08 Posted by | Poesias | 1 Comentário

Primeiro e último soneto

Criva a bala e logo o peito chora
O corpo clama o solo em tombo atroz
Melhor sono que noção da hora
Na escuridão que já consome a voz

O erro vão em que já não tropeço
É a esperança de salvar-me a vida
Aquele irmão que se diz réu-confesso
Por ter-me feito esta mortal ferida

Sem desonrar ou cumprir compromisso
Me entrego à relva, ha muito inexistente
Pois já não tenho nada com isso

Desertando a condição de gente
Despejado às garras do sumiço
Torna ao mar a água desta enchente

Pablo Ramos

30-01-08 Posted by | Poesias | 1 Comentário