Blógico!

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Ficha limpa

A lei da ficha limpa foi uma das melhores coisas que aconteceram neste país, desde a redemocratização. De origem popular, está causando rebuliço nos corredores da justiça e da política.

E ainda teve juiz do supremo dizendo que a Ficha Limpa flerta com o nazi-facismo…. Mas mesmo sob esta terrível ameaça, os juízes decidiram, a respeito do caso Jader Barbalho, que valhe o que disse o TSE… Ora, senhores, isso tem um nome em jurisdiquês, é Tiradarretum. É como um habeas corpus, mas livra a própria cara, não a de outro.

Posso imaginar o tamanho da pressão que está ocorrendo nos bastidores de Brasilia por conta desta bendita lei, pro Supremo desdecidir sobre um assunto duas vezes em tão pouco tempo.

A médio e longo prazos, em “pegando” mesmo a lei, pode haver um vácuo na política nacional.  Que pessoas ou grupos podem surgir no cenário político é uma pergunta que cabe a cada cidadão responder.

Maioria do STF vota por validade da Ficha Limpa

Pbl.

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27-10-10 Posted by | política | , , , | Deixe um comentário

Eu, morador de apartamento funcional

lixoEntrevista gentilmente cedida por estudante da UnB ao Blógico, via email

Foi um cálculo que me assustou, pensei que tinha feito a conta errada mas era exatamente aquilo, realmente o apartamento funcional do reitor da UnB teve MIL VEZES MAIS VERBA do que cada apartamento funcional de estudantes. A cobertura oficial da imprensa passou discretamente pelo detalhe.

Enquanto o palacete do reitor recebia R$ 470 mil para adquirir o que de mais luxuoso se pode imaginar em termos de supérfluo, as outras 300 unidades dedicados a estudantes da graduação foram agraciadas com R$ 100 mil, o que dá módicos trezentos reais de investimento, em média, por apartamento no mesmo período.

Intrigado com a disparidade, depois de enviar a carta aberta ao reitor e à diretoria da FINATEC (os cinco senhores que acabaram sendo afastados do cargo), me dirigi aos estudantes da UnB em carta de solidariedade, procurando saber em que condições se encontravam os seus apartamentos funcionais. Já imaginava encontrar vozes exaltadas e insatisfeitas, mas me deparei com uma situação totalmente alarmante.

Muito antes da denúncia do MP contra a FINATEC, que trouxe à tona os gastos injustificáveis em decoração, os estudantes já haviam feito inúmeras manifestações, passeatas, acampamentos, vigílias e reuniões reivindicando melhoria nas condições de suas unidades, que já ha anos encontram-se abandonadas e esquecidas pela reitoria. Foi preciso a queda de uma marquise para que a UnB tomasse a medida (genial) de tirar todas as outras marquises! Resultado: infiltrações, calor e desrespeito ao patrimônio arquitetônico. Altíssima concentração de recursos nas mãos de poucos, descaso de autoridades com os riscos que correm a população e outros absurdos que só repercutem quando alguém morre ou é indiciado: o caso dos apartamentos funcionais da UnB reflete com fidelidade o quadro público e político de nosso país.

Thiago Silva RochaThiago Silva Rocha, 21 anos, estudante do 4º período de Engenharia Mecatrônica, vive esta realidade dia a dia – ele é um dos muitos estudantes que mora nesses apartamentos esquecidos pela alta cúpula acadêmica tão preocupada em receber delegações estrangeiras com luxo. Thiago faz um depoimento claro, honesto e riquíssimo em detalhes, na esperança de que as goteiras, o abandono, os pisos soltos, as infiltrações e a desorganização em que vive não passe à próxima geração de estudantes que virá habitar ali;

O Sr. Timothy Mulholland já não habita as principais manchetes, outros absurdos já tomam o lugar deste verdadeiro caso de descaso. Mas se a grande imprensa é vítima de sua própria ânsia de gerar novidades a cada momento, vamos aproveitar esta incrível mídia nova e democrática que é a Internet para, mais do que repercutir, refletir assuntos – afinal o esquecimento cômodo das desgraças que passamos é uma das causas daquelas que ainda vamos passar.

Veja a entrevista na íntegra:

Blógico — Em que condições encontram-se os apartamentos funcionais destinados a estudantes da UnB, em termos de conservação e decoração?
Thiago S.R. — Nessa pergunta a que se fazer um esclarecimento. A Universidade de Brasília possui duas casas de estudantes: uma localizada ao lado do Centro Olímpico, destinada aos estudantes de graduação, e outra localizada na Colina, destinada aos estudantes de pós-graduação. Quanto à última não possuo informações suficientes para discorrer sobre suas condições, já a “Casa” da graduação, onde moro, tem muitas evidências de sua preocupante situação. Falando em termos práticos, a decoração dos apartamentos é inexistente, exceto os casos em que o próprio morador se ocupa desses afazeres. Quanto ao estado de conservação, as condições são realmente preocupantes. O rol de elementos defeituosos ou inexistentes é verdadeiramente imenso: portas com maçanetas defeituosas ou ausentes e com dobradiças enferrujadas, paviflex desgastados pelo uso; pouco mobiliário dos apartamentos que está ha muito carecendo de revisão, falta de lâmpadas ou defeito e capacitores e reatores, vasos sanitários e torneiras com vazamentos enormes, degraus da escadaria interna com rachaduras, esquadrias das janelas enferrujadas parcialmente ou totalmente (existe o caso recente de um vidro de janela que simplesmente descolou da esquadria, por sorte o ocorrido foi num momento que as moradoras estavam dormindo), entupimentos em grande parte dos escoadores de água (que já são poucos), goteiras em inúmeros apartamentos (outro caso bastante preocupante ocorre num apartamento em que existe várias goteiras e esse apartamento fica em baixo de uma caixa d’água gigantesca), infiltrações de água durante chuvas por aberturas em janelas e em junções de concreto, entre outros defeitos depredações por tempo e mal uso.

Blógico — Essas condições são consideradas satisfatórias para suprir às necessidades de moradia?
Thiago S.R. — De forma alguma são condições satisfatórias, ao contrário todas elas evidenciam o descaso com que nós moradores somos tratados. Vivemos em uma construção que está caindo aos pedaços literalmente.

Blógico — Quantos estudantes moram em média por unidade?
Thiago S.R. — De forma legal temos o número de quatro moradores por apartamento e mais uma concessão optativa de uma quinta vaga. A verdade é que existem apartamentos com vários moradores ilegais e outros com moradores abaixo do número mínimo de vagas por conta de que alguns se julgam senhores de seus apartamentos e se recusam a receber novos moradores.

Blógico — Qual o critério utilizado pela UnB para o ingresso de estudantes nesses apartamentos?
Thiago S.R. —
É feita semestralmente uma avaliação socio-econômica para novos requerentes de bolsa moradia. Os critérios principais são: requerentes que não possuem família no Distrito Federal, primeira graduação com preferência para calouros e classificação como baixa renda pela avaliação socio-econômica.

Blógico — Como foi resolvido o caso da queda de marquise em 2006?
Thiago S.R. — A providência tomada foi a retirada imediata de todas os outros brises (brise soleil é o nome correto). Essas retiradas geraram novos problemas como as infiltrações de água de chuvas por conta do abalo causado às estruturas durante as retiradas e a ausência de proteção contra a luminosidade excessiva dentro dos apartamentos, lembrando que as fachadas dos apartamentos são quase totalmente cobertas por janelas de vidro sem nenhuma proteção solar. À época foi feita promessa por parte da Universidade de recolocação de novos brises no prazo de 45 dias contados à partir do fim das retiradas, pois bem, dia 21 de janeiro último “comemoramos” o aniversário de um ano da queda do primeiro brise sem que até então nenhuma providência de recolocação tivesse sido tomada.

Blógico — Qual a última vez em que houve reforma ou reparos nesses apartamentos?
Thiago S.R. — Sou morador há um ano e meio e nunca soube de reforma alguma.

Blógico — Foi visível o uso da verba de R$ 100 mil para este fim, destinada pela UnB no período de 2007?
Thiago S.R. — Não consigo de forma alguma enxergar como um conjunto de colchões de baixa qualidade (um por morador), uma geladeira e um forno de microondas para uso comunitário possa ter custado 174 mil reais.

Blógico — Há casos em que estudantes arcam com despesas emergenciais e/ou de reparos nestas unidades? Quais?
Thiago S.R. — Vários são esses casos. Lâmpadas, reatores, mesas, cadeiras, prateleiras, desentupimentos, correção de vazamentos e goteiras, pinturas, entre outros.

Blógico — Quais as principais reivindicações dos estudantes da UnB em relação a melhorias de infra-estrutura na universidade, como um todo?
Thiago S.R. — Os prédios da nossa Universidade foram em sua maioria construídos baseados em normas e conceitos da década de 60, por isso muitas são as demandas de infra-estrutura no campus. Os acessos a deficientes são insuficientes ou inexistentes e os sistemas elétrico e hidráulico não atendem às demandas, sendo constantes as faltas de água e quedas de energia; existem problemas enormes de infestações por animais e insetos, infiltrações, má ambientação dos espaços internos e outros.

Vinheta 01

18-02-08 Posted by | Carta Aberta, Crônica geral, Entrevista | , , | 1 Comentário

Palacete funcional X Casebres que não funcionam

A imprensa simplesmente passou ao largo dos apartamentos funcionais dos estudantes, que receberam menos de um milésimo da verba destinada ao palacete do reitor da UnB ( em média R$ 333,00 por unidade para Casa do Estudante Universitário, contra R$ 470.000,00 para o apartamento do reitor) . Mais uma vez atendo-se ao superficial, os noticiários já buscam outro ssunto para suas manchetes principais, enquanto que o lado fraco da corda (os estudantes) já arrebentou faz muito tempo!

Corda

A reivindicação é antiga, como pode-se constatar em matéria do site Mídia Independente. Já caiu marqiuse, já foram feitas reuniões, manifestações, vigílias e passeatas muito antes da denúncia do Ministério Público, como pode-se ler no site:

“(…)é importante lembrar que a Casa do Estudante da Universidade de Brasília encontra-se em situação extremamente precária e que a Reitoria da UnB ora finge desconhecer ora nega o acesso dos estudantes a um laudo da defesa civil que avaliou a estrutura física dos prédios. Cabe ressaltar também que a luta desses estudantes por condições dignas de estudo e permanência na universidade é bem anterior às denúncias do Ministério Público em relação ao luxo do apartamento do reitor e que este fato só veio a agravar o descaso da Reitoria em relação à assistência estudantil.“”

Maiores detalhes nas matérias do portal:

campamento na reitoria da UnB – com lista completa dos gastos no apartamento
Estudantes em alojamento precário, Reitor em apê de luxo:
Reitor da UnB usou verba de pesquisa para reformar seu apartamento!!!:

Vinheta 01

14-02-08 Posted by | Crônica geral | , , | Deixe um comentário

Repercussão pública

Queimandograna.gifA carta aberta à FINATEC e ao Sr. Reitor da UnB está dando o que falar. De Brasília, Viviane Teixeira, aluna da UnB, me escreve dizendo que faltou uma informação importante. Segue trecho da carta:

“(…)curiosa se não foram cartas como a sua um dos motivos da grande divulgação na imprensa… bem interessante.. bom, acho que ninguém ali na UNB duvidava muito da falta de “idoneidade” do nosso “queridíssimo” reitor… só queria saber uma coisa.. ele já foi destituído do cargo? É incrível como os escândalos com o CESPE e FINATEC se acumulam e nenhuma providência severa é tomada.. pelo que li na imprensa os professores diretores da FINATEC serão destituídos do cargo (um já foi) e existia a possibilidade (pasme!) de se destituir o reitor tb… mas, o mais incrivel, é que ninguém falou de cadeia ainda!!!! Um fato que eu achei legal tb é que na imprensa divulgaram o nome dos cinco professores (Antônio Manoel Dias, Nelson Martin, Carlos Alberto Bezerra, Guilherme Sales e André Pacheco) dirigentes da FINATEC, professores estes, de dedicação exclusiva, e que, portanto, não poderiam estar trabalhando na FINATEC.. achei apenas que faltou citar o nome deles na sua carta… “

Pois bem, aí estão os nomes! Uma pena que não tenham entrado na carta, mas já que ela foi enviada para a diretoria e mais um monte de emails na própria FINATEC, acredito que estes respeitáveis senhores vão tomar conhecimento.

 

Vinheta 01

14-02-08 Posted by | Carta Aberta, Crônica geral | , , , | Deixe um comentário

Sobre a carta

Acabo de enviar carta aos estudantes da UnB pedindo informações sobre as condições dos apartamentos funcionais que são destinados a eles. Aguardando resposta……….

12-02-08 Posted by | Crônica geral | , , , | Deixe um comentário

Carta aberta

À diretoria da FINATEC e ao Sr. Timothy Mulholland
com cópia para órgãos e profissionais da imprensa.

Caros senhores, venho publicamente expressar meu desapontamento com os rumos dados aos recursos desta entidade, que “tem como foco principal captar recursos financeiros que serão investidos no desenvolvimento científico e tecnológico, na transferência de tecnologia e na pesquisa” (segundo declaração publicada no site da instituição). Compreendo perfeitamente a importância de uma boa decoração para o apartamento funcional do reitor da UnB conforme acordo firmado, e como programador visual não poderia negar a necessidade de se manter um ambiente planejado propício à realização de reuniões com autoridades, delegações estrangeiras etc.

Porém, diante da realidade em que a maioria da população sofre pela falta de condições básicas de vida e a pesquisa científica carece de recursos, me questiono (e ouço o eco desta pergunta pelo país a fora) se é realmente indispensável a aquisição de móveis e utensílios de luxo para tal fim.

Levado pela onda das denúncias relativas aos cartões corporativos, o caso do palacete funcional revela a cultura do abismo, que tem levado autoridades brasileiras, historicamente, a se proporcionarem confortos e exclusividades esbanjantes, quando não privilégios duvidosos. Em sua nota de esclarecimento, a FINATEC deixa claro a regularidade da aplicação dos recursos e esclarece que os R$ 470 mil da reforma são, em última instãncia, da UnB, mas não é a regularidade ou origem do dinheiro que está em questão, e sim o bom-senso em seu uso. Não queiram fazer a população brasileira acreditar que uma decoração de R$ 470 mil fazem mais diferença, numa reunião com autoridades, do que obom uso de R$ 470 mil em pesquisas.

Há muitos projetos interessantes nascidos da parceria entre FINATEC e Unb, como a turbina de energia hidrocinética, mas uma lixeira de R$ 999,00, um liquidificador de R$ 499,00 ou um jogo de chá de R$ 986, perante a situação de dificuldade que passa o ensino superior brasileiro, chega a ser insultante – regular ou não.

É preciso pensar e repensar a situação em que vivemos, antes de tomar decisões como a que o levou, senhor Timothy Mulholland, a assinar a norma nº 445, aprovada pelo Conselho Diretor da UnB em 6 de julho de 2006, que determina que a Fundação Universidade de Brasília (FUB) deve arcar com todos os gastos de moradia do ocupante do cargo de reitor, inclusive condomínio e estrutura. Segundo a FINATEC, “tendo em vista os interesses maiores da instituição”.

Qual interesse da instituição pode ser maior do que investir em pesquisa, afinal? Fazer bonito frente a um reitor estrangeiro? Não temos, senhores, condições de gastar dessa maneira , mesmo porque outros 300 apartamentos funcionais para estudantes de baixa renda da UnB receberam, no mesmo período, apenas R$ 100 mil – o que resulta em pouco mais de trezentos reais por unidade.

Os senhores já tentaram fazer uma reforma com trezentos reais? Impossível. Tal ninharia resolve no máximo questões emergenciais como goteiras, taco solto ou encanamento, já 470 mil reais pode fazer muita diferença – na escolha de uma lixeira ou no financiamento de um projeto.

Espero que a FINATEC aprenda com este caso a cuidar com mais humildade dos recursos que são destinados à sua causa primária, e que a sociedade brasileira, por sua vez, esteja cada vez mais e sempre de olhos abertos para que tais práticas e critério caiam, um dia, em desuso.

Respeitosamente,

Pablo Ramos
um cidadão brasileiro

P.S.: Fiquei feliz em saber que o senhor Timothy desocupou o apartamento em questão, o que e importante para a imagem da UnB e da FINATEC – que são bem maiores do que este incidente.

12-02-08 Posted by | Carta Aberta, Crônica geral, Desabafo | , , , | Deixe um comentário

O lado B (de BOM)

Ando pensando um bocado sobre a lixeira de R$1.000 e me espantando ainda com o que não devia fazer efeitoCulpa dessa minha incapacidade de me anestesiar.Estou preparando uma carta aberta para enviar ao senhor Timotty Mulholland, Reitor da Universidade de Brasília. Sei que não comprou a lixeira para si e não pretendo fazerpanfletismo”, mas quero entender melhor a razão cultural do descalabro, portanto aceito sugestões de perguntas sensatas que meus inúmeros leitores queiram dirigir ao nobre senhor.Mas como sou fanático mesmo pelo lado Bom das coisas, enquanto a carta não vem (ou não vai), deixo duas belas dicas:

O Abre Aspas, Blog da Universidade de Brasília, e o o site do CDE da UnB, o Diretório Acadêmico Honestino Guimarães, que mostram bem o que a UnB é no mundo real, longe dos palácios arquitetônicos: um enxame de idéias, expressões, criação e tudo mais que uma universidade pode ser.

Minha solidariedade aos moradores dos outros 300 apartamentos funcionaisos apês de estudantes, que receberam pouco mais de R$330,00 cada um para sua manutençãoporque ninguém reforma uma casa com trezentos reais!

11-02-08 Posted by | Crônica geral | , , , | Deixe um comentário