Blógico!

Pensamento crítico, arte, literatura, design, comunicação e boas notícias

Viva Liberdade!

Isso pode acontecer com você!Já escrevi aqui sobre a China e seu constante atentado à liberdade e aos Direitos Humanos.

Um pouco mais para o ocidente, onde nossa arrogância egocêntrica nos leva a pensar que há um mínimo de liberdade, em pleno coração da Europa reina o Senhor das Comunicações italiano, Silvio Berlusconi. Presidente de um partido criado para sua entrada na política, presidente do Milan, homem mais rico da Itália, dono de bancos e do conglomerado de mídia Mediaset, exerce poder absoluto impondo silêncio à imprensa e perseguição aos opositores.

O filme “Viva Zapatero!”, de Sabina Guzzanti (2005), mostra a situação nua e crua. Sabina é comediante, atriz e filha de um senador de direita; teve seu programa cancelado depois da estréia e registrou a luta pelo direito de fazer rir e de fazer pensar. De quebra documentou o ressurgimento do facismo, mostrou o incrível poder do humor na transformação histórica e expôs meia dúzia de figurões ao ridículo das próprias palavras.

“Não há sensura mas sempre o editor diz ‘olha, recebemos um telefonema e não podemos falar disso”

“O critério de paginação mesmo é determinado por ‘telefonemas’, então algo sai da primeira página”

Leia a sinopse

 

25-07-08 Escrito por pabloramos.com.br | Crônica geral | , , , , , | Não Há Comentários

Contra-Eixo

Trabalhei no mesmo lugar por dez anos sem me cansar da vista.

Acho que certas fotos têm seu próprio eixo, e deviam mesmo ser mostradas e vistas da forma que este eixo pede, independente do horizonte, das regras de equilíbrio visual, das convenções artísticas, do bom-gosto….

Eis o eixo excêntrico da vista de que tanto gosto, onde reside o equilíbrio que se opõe a que a imagem fique de pé.

24-07-08 Escrito por pabloramos.com.br | Arte, Design, Foto | | Não Há Comentários

Épica

Esta coisa ao pé da língua é fatal
Nunca mingua e de fato não se cansa
De vencer todo encanto no seu ato
De ser a tal e me fazer criança

Formosura de lembrança preferida
Ofusca o mundo e a tela se transborda
Quando vem, ela é de um bem que um morto acorda
Quando vai derrama o doce de mil vidas

Dançando pelo assédio dessa mão
No compasso de absurdos mais ferinos
Balança e rouba o gostinho da atenção

Tão bonita para o apelo dos meninos
Conhece e dita a receita do calor
Bunda épica, clamor da perfeição!

para uma bunda em especial :-)

14-07-08 Escrito por pabloramos.com.br | Poesias | , , | Não Há Comentários

A volta triunfal

Queridos leitores, estive de mudança. Mudança de vida, mudança de trabalho, mudança de endereço, mudança de rotina, mudança de hábitos……

Mas, assim como todo bom vilão de filmes e quadrinhos, eu VOLTEI huahuahuahua!

Vamos marcar o retorno do Blógico com um belo soneto, quase sublime…

14-07-08 Escrito por pabloramos.com.br | Crônica geral | | Não Há Comentários

Mil motivos para me manter otimiista

Como já dizia o poeta (aquele poeta anônimo evocado quando não sabemos da origem de algo pretensamente bonito de que falamos), “Otimismo não é um estado de espírito, é um modo de encarar a vida”. Ou será que ele, o poeta, disse isso do humor? Tanto faz, estaria correto em ambos os casos. Frequentemente reproduzimos chavões como “Os tempos são duros”, “Não se há tempo para mais nada”, “Inversão de valores”, “Onde este mundo vai parar?” e tantos outros, dando eco ao côro dos cabisbaixos inveterados, aumentando a porção de desesperança diária. Os tempos são duros mesmo, e muito, realmente não temos tempo para quase nada além de trabalho, é fato que há uma “migração” de valores e eu confesso que também não sei onde este mundo vai parar (ninguém sabe afinal), mas não vejo em nada disso motivo para lamentação ou desânimo – vejo antes tantos outros motivos para crer mais e sempre na raça humana e no seu progresso moral, e vou tentar expô-los nessas tortas linhas de raciocínio.

Leonardo Boff disse em uma palestra na USP (provavelmente citando um poeta) que precisamos ser pessimistas no diagnóstico e otimistas na ação. Seria inútil desfraldar as intermináveis razões pelas quais achamos que “O mundo está perdido” (outro chavão), mas vejamos o contexto geral em que vivemos, e que já é ótimo material para um diagnóstico pessimista:

Leia mais »

12-04-08 Escrito por pabloramos.com.br | Carta Aberta, Desabafo, Mundo melhor | , , | Não Há Comentários

Pretensioso, eu? Sim, confesso…

Para completar os comentários que fiz sobre minha vida na favela (ver post “Registro em Fotos 2“), e ainda para declarar mais uma vez meu amor pelos terraços (ver post “Lugar Nenhum“), esta crônica escrevi em 2001 - muito pretensiosa, eu sei, se quiser parar a leitura no meio eu vou entender ;-)

“Buscava refazer o caminho que me trouxera até ali. Parecia que toda minha trajetória podia se resumir àquela imagem da noite. No terraço, bolha de breu entre as luzes da favela, me espichava sem mover músculos, como só é possível sobre as redes. Senti-me capaz de absorver-me e viver as memórias mais imediatas, o que também é uma forma de estar no presente. Neste raro momento, fui épico.

Mas uma lacuna, silenciosa e doce, se impunha. O que era, senão um vazio tão repleto que se abstinha de qualquer angústia, compaixão ou calmaria? Restava-me somente sê-lo - e até hoje, como se na memória do coração viessem gravadas as lembranças dos olhos, vejo a mureta, a encosta à frente com suas casas amareladas de tempo, pobreza e luzes baratas, o céu desestrelado, embaçado pela presença luminosa da cidade e o zigue-zague do varal de longos arames açoitando todo esse esboço de paisagem.

O tempo veio e virá, e eu podia sentir a torrente como se, sempre levado pelas águas, de repente agarrasse um galho e sentisse no corpo, pela primeira vez, que a água corre, enfim.

Certa vez, por volta dos dez anos, estava na cozinha com minha mãe. Devia ser um sábado, tarde talvez nublada, mas dia e hora não chegavam à cozinha sem luz natural, e reinava a lâmpada fluorescente, provendo quase sempre a mesma atmosfera. O assunto era uma das eternas tensões que sempre nos seguiram e uniram, e eu já vinha ouvindo palavras mais rígidas, até que mãe se perdeu em repreensões, dedo levantado e carranca colérica, coisas que para um menino sempre são um tanto vagas. Encolhido no canto do chão aonde já me encontrava eu via minha mãe se precipitar naquele ângulo ameaçador, e apesar de saber nulo o risco de um tapa sequer, me perdia na confusão do esporro e de meu desentendimento. De súbito me passou que se mãe morresse no dia seguinte aquela imagem ficaria talhada enquanto eu vivesse, e me ocorreu fixar a imagem, com a atenção que ela mereceria se um dia se tornasse sagrada. Apreendi todos os nuances de luz que já me eram tão familiares e ali faziam outras sombras. Me dedicava com fervor em fixar em nobre espaço da memória o quadro daquela mulher que cuspia lições rígidas, punha o dedo firme na minha cara e tentava me abrir os olhos para alguma coisa, com um naco da geladeira amarela ao lado e a lâmpada fluorescente bem em cima, ofuscando e renegando a professora às sombras. Mãe não morreu no dia seguinte, eu não me importei com a natureza macabra desta estranha forma de amor e a imagem está em exposição permanente aqui dentro, até sempre.

Já vem de muito, então, a minha fixação em fixar imagens, e tanto a tarde na cozinha quanto a noite no terraço não precisaram se encher de surpresas ou terrores para estarem eternizadas em mim. Na rede, lamentava pela enésima vez que na cidade as estrelas fossem tão tímidas, mas elas haviam, e cada uma era um clarão de século que eu atravessava esperando o retorno da cria ao colo.”

08-04-08 Escrito por pabloramos.com.br | Contos, Desabafo | , , , | 1 Comentário

Frase por um dia

“No século do progresso
O revólver teve ingresso
Pra acabar com a valentia”
Noel Rosa

04-04-08 Escrito por pabloramos.com.br | Frase por um dia | , , | 2 Comentários

Post rasgado

Já falei aqui uma vez sobre o Sons de Sonetos, blog maravilhoso do amigo André Luís, que garimpa obras-primas da literatura independente em forma de sonetos (com exceção do meu “Primeiro e último Soneto”, que pode-se dizer no máximo um esforço honesto de não fazer besteira).

Ontem bati o olho na mais nova publicação deste blog primoroso, o soneto “Aos Trancos e Barrancos“, de Eloah Borba, e fiquei sinceramente emocionado com a qualidade dos versos que o André escolhe para publicar.

Não resisti e comentei também em forma de soneto, um elogio rasgado ao poeta editor do blog e aos “gigantes esquecidos” que ali se encontram.

Falta primor em muitas rimas, algumas até óbvias, não há versos decassílabos etc mas a intenção não era superar o soneto que eu comentava (até porque isso seria impossível para mim). Eis o soneto:

COMENTÁRIO RASGADO

De certeiros sentimento e simetria
É não somente cada poesia
Como a escolha dos gigantes esquecidos
Que neste blog podem dizer-se lidos

Meu orgulho pulsa noite adentro
Por estar aqui enfileirado
E o peito, alagado de contentamento
Curva-se ante nomes de talento escancarado

Ouvir no vento os sons de sonetos
É renovar o peito castigado
E seguir sem precisar de nada

Vir aqui uma vez ao dia
É meter o dedo na tomada
E carregar a fatigada bateria

E não esqueça de visotar agora o Sons de Sonetos! sondesonetos.jpg

Pbl

03-04-08 Escrito por pabloramos.com.br | Poesias | , , | 3 Comentários

Inclusão real - O outro lado da moeda

É lindinho imaginar o mundo em que cada indivíduo estará integrado à Rede Mundial (que já não é uma rede de computadores, mas uma rede de comunicação, pois que abrange computadores, telefones, geladeiras, portas, cafeteiras…) mas fico espantado quando vejo a banalização de expressões generalizantes como “todos vão poder…”, “todos vão estar…” ou “todos vão ter…”

Impera nas classes média e alta a sensação de que “todos” têm acesso à rede de computadores e suas facilidades - isso é fruto do pensamento auto-centrado e excludente que nos faz esquecer daquela pequena parcela de 94% da população mundial que nunca entrou na internet, ou dos 50% que nunca falaram ao telefone. Isso mesmo, metade das pessoas no mundo nunca falou ao telefone!

Então, antes de nos regozijarmos com este admirável mundo novo, vamos pensar um pouco naqueles que estamos deixando para trás, nos escombros do mundo velho. Não há como todos terem celulares de última geração, carros ou tudo que a publicidade promete - mas há como todos terem conforto, há como ninguém ter necessidades básicas não atendidas. Basta que não nos deixemos iludir por promessas de luxo, que não nos deixemos anestesiar por ilusões vendidas a cada dia de que o acesso à informação é universal… NÂO È! Basta ver o trabalho hercúleo que entidades como o Comitê Pela Democratização da Informática tem para disseminar o acesso aos novos meios, ou abrirmos os olhos para a verdade nua e crua de que, enquanto eu estou no ar-condicionado blogando para meia dúzia de pessoas esclarecidas, há uma multidão interminável de abandonados e esquecidos, para quem viramos as costas todos os dias, que sequer têm comida todos os dias ou água encanada em casa.

Movimentos como as Blogagens Coletivas são importantes para organizar e mobilizar aqueles que podem fazer algo, contanto que não se limitem a fazer com que alguns escrevam parcas linhas (coerentes ou não) sobre essa indignação tipo mosca-sem-asas (que não ultrapassa a janela de nossas cassas).

Piraí é uma cidade pequena do interior do Estado do Rio em que as escolas públicas têm tecnologia de ponta em profusão e não sofrem roubo ou depredação, pelo simples fato de que todos têm acesso a esta tecnologia, oferecida com base pedagógica e política. Lá, o pescador acessa a rede em terminais públicos para saber das marés e a faxineira da escola, onde cada criança tem seu computador pessoal para os estudos, busca receitas e confere os e-mails.

Patrícia Saldanha, pesquisadora que estudou aquela cidade digital para seu doutorado, ao perguntar à faxineira se ninguém roubava as máquinas, ouviu a brilhante resposta: “Quem vai roubar, se todo mundo usa?”

Democratizar tecnologia não é ter à venda os celulares mais avançados da Claro, é garantir acesso de forma planejada e com participação intensa da sociedade Civil, como se vê em Piraí.

Então quando alguém me diz “incrível, hoje todos têm acesso à informação de forma instantânea” eu respondo - “Pelo menos em Piraí, todos têm sim”

Para que todos tenham tudo,
tudo deve ser de todos.

Veja o programa de André Trigueiro sobre a experiência de Piraí.

Site de Piraí - Cidade Digital

Portal da Inclusão Digital do ME

Pbl.

Créditos das imagens
Site da Prefeitura do Rio - POrtal da Inclusão Digital
Blog PanTec - provavelmente copiada de alguma agência de notícias
Site do Comite pela Democratização da Internet


02-04-08 Escrito por pabloramos.com.br | Ciência e Tecnologia, Crônica geral | , , , , , | 3 Comentários

Nós flutuantes - um lado da moeda

O avanço tecnológico permitiu ao longo das últimas décadas a criação e expansão de uma incrível rede de computadores que, a cada dia, abrange novos e remotos pontos do planeta, num processo de conclusão imprevisível (o mais provável é que o processo não se conclua). Paralelamente, a telefonia móvel se desenvolveu a níveis inimagináveis até alguns anos atrás. Como resultado, a comunicação tornou-se algo fácil, acessível e barato.

Os anúncios da Claro, recentemente veiculados, prometem a chegada do Futuro com letra maiúscula, esse que habitou sonhos de crianças e adultos. Se não temos ainda carros que voam, tão esperados para o ano 2000, a possibilidade de falar num aparelinho vendo o rosto do interlocutor, ao vivo, é simplesmente emblemática! Enfim entramos nas telas de nossas própria ficção científica e o “alô-código” em breve será o “oi” de um encontro casual.

Porém um ponto importante costuma ser negligenciado nas discussões sobre os avanços da telefonia móvel: A popularização generalizada do uso de celulares e PDAs corre paralela à total convergência entre o computador e o telefone: aparelhos cada vez mais possantes e capazes de processamento de todo tipo de informação, agora capazes de acesso à rede mundial, tornarão cada indivíduo (e não mais cada máquina) um nó da rede sem local de acesso fixo.

Na revista MagAzine deste mês há uma série de anúncios de sistemas de controle remoto de quase todas as funções da casa, pelo celular. Algumas companhias já vendem objetos dos mais banais, como portas e cafeteiras, equipados com chips GSM, para controle remoto de suas funções via celular. Recentemente um “colaborador” da Conspiração Filmes hospedou, a título de teste, um site em seu I-Fone. Ou seja: quando um usuário digitasse o endereço eletrônico, o site seria lido do celular dele! Para isso o aparelho teria que estar ligado 24h, mas em breve teremos planos de acesso ilimitado (como a Claro já oferece) cada vez mais baratos.

Há porém a questão dos cavalos-de-Tróia que criam máquinas “zumbis” a serviço de crackers mundo afora – se hoje um sujeito pode vender uma rede de milhões de máquinas infectadas capazes de enviar pacotes para determinado endereço, sem o consentimento de seus usuários, gerando ataques coordenados, imaginemos como se multiplicarão as máquinas “infectáveis” com a entrada em massa dos celulares na Internet!

A telefonia móvel possibilita uma total permeabilidade da rede em nossas vidas, de tal modo que uma pessoa poderá se tornar um nó flutuante por si só, quase um ponto orgânico da rede que a cada dia se confunde mais com o ambiente em que vive.

Amanhã: O outro lado da moeda

01-04-08 Escrito por pabloramos.com.br | Ciência e Tecnologia, Crônica geral | | 2 Comentários